quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Centenário de Aracy de Almeida


Comemorou-se nesse último dia 19 passado, o centenário de nascimento de nossa "Araca" - Aracy Teles de Almeida nasceu em 19 de agosto de 1914. Foi criada no subúrbio carioca, no bairro de Encantado, numa grande família protestante; o pai, Baltazar Teles de Almeida, era chefe de trens da Central do Brasil e a mãe, dona Hermogênea, dona de casa. Tinha apenas irmãos homens.

Estudou num colégio no bairro do Engenho de Dentro, onde foi colega do radialista Alziro Zarur, passando depois para o Colégio Nacional, no Méier. Aracy costumava cantar hinos religiosos na Igreja Batista e, escondida dos pais, cantava músicas de entidades em terreiros de candomblé e no bloco carnavalesco "Somos de pouco falar". "Mas isso não rendia dinheirim", como Aracy dizia.

Mais tarde, conheceu Custódio Mesquita, por intermédio de um amigo. Cantou para ele a música Bom-dia, Meu Amor (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano), conseguindo entrar a Rádio Educadora (depois Tamoio), em 1933. Ali mesmo, conheceu Noel Rosa e aceitou o convite, que ele lhe fez, para "tomar umas cervejas cascatinhas na Taberna da Glória". Desde este dia, o acompanhou todas as noites.

No ano seguinte, gravou para o Carnaval seu primeiro disco, pela Columbia, com a música Em plena folia (Julieta de Oliveira). Em 1935 assinou seu primeiro contrato com a Rádio Cruzeiro do Sul e gravou Seu Riso de Criança, composição de Noel Rosa, de quem se tornaria a principal intérprete.


Transferindo-se para a Victor, participou do coro de diversas gravações e lançou, ainda em 1935, como solista, Triste cuíca (Noel Rosa e Hervé Cordovil), Cansei de pedir, Amor de parceria (ambas de Noel Rosa) e Tenho uma rival (Valfrido Silva). A partir de então, tornou-se conhecida como intérprete de sambas e músicas carnavalescas, tendo sido apelidada por César Ladeira de "O Samba em Pessoa". Trabalhou na Rádio Philips com Sílvio Caldas, no Programa Casé; na Cajuti, Mayrink Veiga e Ipanema, excursionando com Carmen Miranda pelo Rio Grande do Sul.

Em 1936 foi para a Rádio Tupi e gravou com sucesso duas músicas de Noel Rosa: Palpite infeliz e O X do problema. Em 1937 atuou na Rádio Nacional e destacou-se com os sambas Tenha pena de mim (Ciro de Sousa e Babau), Eu sei sofrer (Noel Rosa e Vadico) e Último desejo, de Noel Rosa, que faleceu nesse ano.

Gravou, em 1938, Século do Progresso (Noel Rosa) e Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico), e, em 1939, lançou em disco Chorei quando o Dia Clareou (Davi Nasser e Nelson Teixeira) e Camisa amarela (Ari Barroso). Para o Carnaval de 1940, gravou a marcha O Passarinho do relógio (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira) e, no ano seguinte, O Passo do canguru (dos mesmos autores).

Em 1942, lançou o samba Fez Bobagem (Assis Valente), Caramuru (B.Toledo, Santos Rodrigues e Alfeu Pinto), Tem galinha no bonde e A Mulher do leiteiro (ambas de Milton de Oliveira e Haroldo Lobo). Fez sucesso no Carnaval de 1948 com Não me Diga Adeus (Paquito, Luis Soberano e João Cerreia da Silva) e, em 1949, gravou João ninguém (Noel Rosa) e Filosofia (Noel Rosa e André Filho).

Entre 1948 e 1952, trabalhou na boate carioca Vogue, sempre cantando o repertório de Noel Rosa; graças ao sucesso de suas interpretações nessa temporada, lançou pela Continental dois álbuns de 78 rpm com músicas desse compositor: o primeiro deles, lançado em setembro de 1950, continha Conversa de botequim (com Vadico), Feitiço da Vila (com Vadico), O X do problema, Palpite infeliz, Não tem tradução e Último desejo; no segundo, lançado em março de 1951, interpretou Pra que mentir (com Vadico), Silêncio de um minuto, Feitio de Oração (com Vadico), Três apitos, Com que roupa e O Orvalho Vem Caindo (com Kid Pepe).

Foi, ao lado de Carmen Miranda, a maior cantora de sambas dos anos 30. Depois de atuar com sucesso na boate Vogue em Copacabana na década de 40, entre 1950 e 1951, gravou dois álbuns dedicados a Noel Rosa, que seriam responsáveis pela reavaliação da obra do poeta da Vila.

Mudou-se para a Cidade de São Paulo em 1950, e lá viveu durante 12 anos. Em 1955 trabalhou no filme Carnaval em lá maior, de Ademar Gonzaga, e lançou, pela Continental, um LP de dez polegadas só com músicas de Noel Rosa, no qual foi acompanhada pela orquestra de Vadico, cantando, entre outras, São Coisas Nossas, Fita Amarela e as composições inéditas Meu Barracão, Cor de Cinza, Voltaste e A Melhor do Planeta (com Almirante).

Três anos depois, lançou pela Polydor o LP Samba em pessoa. Em 1962 a RCA, reaproveitando velhas matrizes, editou o disco Chave de ouro. Em 1964, gravou com a dupla Tonico e Tinoco, o cateretê Tô chegando agora (Mário Vieira) e apresentou-se com Sérgio Porto e Billy Blanco na boate Zum-Zum no Rio de Janeiro.
Em 1965, fez vários shows no Rio de Janeiro: "Samba pede passagem", no Teatro Opinião; "Conversa de botequim", dirigido por Miele e Ronaldo Boscoli, no Crepúsculo; e um espetáculo na boate Le Club, com o cantor Murilo de Almeida. No ano seguinte, a Elenco lançava o disco Samba é Aracy de Almeida. Com o cômico Pagano Sobrinho, fez "É proibido colocar cartazes", um programa de calouros da TV Record, de São Paulo, em 1968. No ano seguinte, a dupla apresentou-se na boate paulistana Canto Terzo. Ainda em 1969, fez o show "Que maravilha!", no Teatro Cacilda Becker em São Paulo, ao lado de Jorge Ben, Toquinho e Paulinho da Viola.

Depois disso, com a entrada da bossa nova, os intérpretes de samba já não eram tão solicitados. Aracy trabalhou em vários programas de TV: Programa do Bolinha; na TV Tupi, com Mário Montalvão; na TV Globo, com a Buzina do Chacrinha; no Programa Silvio Santos; programas na TVE; Programa da Pepita Rodrigues, na TV Manchete; Programa do Perlingeiro, na TV Excelsior; no Almoço com as estrelas, com Aérton Perlingeiro, entre outros.

Em 1988, Aracy teve um edema pulmonar. No início, ficou internada em São Paulo, retornando ao Rio de Janeiro para o hospital da SEMEG, na Tijuca. Silvio Santos a ajudou financeiramente na época em que esteve doente e lhe telefonava todos os dias, às 18 horas, para saber como ela estava.

Depois de dois meses em coma, voltou a lucidez por dois dias, e, num súbito aumento de pressão arterial, faleceu no dia 20 de junho, aos 74 anos. Seu corpo foi velado no teatro João Caetano, visto que seu último show com Albino Pinheiro havia sido lá. O Jardim da saudade doou o túmulo para ela, porém já havia uma gaveta no cemitério em São Paulo, mas Adelaide não quis levá-la para lá. O Corpo de Bombeiros percorreu parte do Rio de Janeiro com a sua urna como homenagem, passando pelos lugares importantes freqüentados por Aracy (Copacabana, Glória, Lapa, Vila Isabel, Méier e Encantado). Ela não casou e não quis ter filhos, apesar de ter morado com alguns namorados.

Fonte: Wikipedia

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Vinte e Cinco anos sem o Rei do Baião

Nesse último dia 2 passado, completaram o primeiro quarto de século que o Brasil se despedia de Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião, um dos grandes ícones da música popular nordestina. Gonzagão, que nasceu em Exu (PE) e dedicou boa parte da sua vida a criar e a cantar hinos como ‘Asa Branca’, ‘Olha pro céu’ e ‘No meu pé de serra’, morreu vítima de uma parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, em Recife (PE).


No lugar da coroa, ele usava um chapéu de couro. Nas mãos, o cetro dava lugar à sanfona. Muito popular entre os milhões de súditos, Luiz Gonzaga era um monarca diferente, o rei do baião. Ele nasceu em uma sexta-feira 13, mas o mau agouro passaria longe. A paixão pela música surgiu vendo o pai tocar em casa e festas da região.

Ele não amou só o acordeon, também se apaixonou pela filha de um fazendeiro, que não aceitou a união e ameaçou o rapaz de morte. Gonzaga fugiu de casa e foi para o Ceará, onde entrou no exército. Trocou a sanfona pela corneta na vida militar, ficando conhecido como ‘Bico de aço’. Depois de dez anos de quartel, pediu baixa no Rio de Janeiro.

Quando decidiu fazer a carreira musical, começou a tocar em bares, festas e nas ruas. Uma apresentação no programa de rádio de Ary Barroso, no começo da década de 40, foi marcante. Luiz Gonzaga interpretou ‘Vira e mexe’, canção instrumental de sua autoria. Muito aplaudido e elogiado, foi convidado a entrar em estúdio.

A HORA DE SOLTAR A VOZ

Além dos muitos discos, veio também a ideia de se vestir de vaqueiro, figurino com o qual seria consagrado. Depois do sucesso tocando, era a hora de soltar a voz. ‘Dança Mariquinha’ foi a primeira que ele gravou cantando.

No mesmo ano, assumiu a paternidade do filho de uma namorada. Gonzaguinha recebeu o mesmo nome do pai e o talento para a música. Após uma relação conflituosa durante anos, os dois chegaram a fazer shows juntos na velhice de Gonzagão. Em 1948, conheceu Helena, com quem se casaria e ficaria junto até o fim da vida.


Luiz Gonzaga é um dos artistas com mais discos vendidos na história da música brasileira, autor de clássicos como ‘Asa branca’, ‘Qui nem jiló’ e ‘Baião’. O ritmo, aliás, virou samba em 2012, em um desfile que deu à Unidos da Tijuca o título de campeã do carnaval carioca naquele ano.

Há 25 anos, Gonzagão “olhava para o céu”. Uma parada cardiorrespiratória calava a sanfona real. Mas houve festa lá em cima, afinal, o rei estava chegando.

Fontes: http://g1.globo.com/
             

Morre o Cantor Roberto Paiva


Morreu na quinta-feira última o cantor Roberto Paiva, aos 93 anos de idade. A passagem se deu no Rio de Janeiro e o enterro foi no Cemitério São João Batista. A morte não foi notícia de jornal, sendo anunciada apenas por Osmar Frazão, em seu perfil social. Uma perda para a Música Popular Brasileira, Roberto Paiva, embora discreto, foi sempre um cantor muito requisitado por compositores brasileiros.

Roberto Paiva nasceu em 8 de fevereiro de 1921, no Rio de Janeiro, e por lá mesmo foi criado. Teve uma atuação muito discreta na música brasileira, e era considerado um cantor correto, por isso mesmo tão procurado pelos compositores. Em 1956, sua correção é atestada no histórico LP original “Orfeu da Conceição”, com músicas iniciais de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Iniciou a vida artística como cantor romântico, mas ousou passear por sambas e marchinhas de carnaval. Ainda era estudante do ginásio, no Colégio Pedro II, quando começou sua jornada, vencendo um programa de calouros da Rádio Clube Fluminense, de Niterói, interpretando a valsa “A você”, de Francisco Alves. Cyro Monteiro, então, levou-o para o programa “Picolino”, de Barbosa Júnior, na Rádio Mayrink Veiga. Lá ele conheceu o pianista Nonô e o violonista Laurindo de Almeida, que o levou para a Odeon.

Em 1938 gravou seu primeiro disco, interpretando “Último samba”, de Laurindo de Almeida e a valsa “Jardim das Flores”, de Nonô e Francisco Matoso, acompanhado da Orquestra Odeon. No mesmo ano gravou “Foi um falso amor”, de Dunga, e a marcha “Palhaços azuis”, de Vicente Paiva. Em 1939 gravou, de J. Cascata e Leonel Azevedo a valsa “Ao cair da noite”, e o samba “Longe, muito longe”.

Gravou sempre, nos anos seguintes, com interpretações inesquecíveis de Geraldo Pereira, Nelson Teixeira, Pixinguinha, Ataulfo Alves entre tantos outros.

A história da música perdeu quando ele se recusou a gravar o samba “Falsa baiana”, maior sucesso da carreira de Geraldo Pereira. Em 1944 foi gravado por Cyro Monteiro e Roberto Paiva declarou: “Era de madrugada e o Geraldo, 'meio alto', cantou enrolando as palavras, dando a impressão de que o samba estava 'quebrado'. Um mês depois, ao ouvi-lo na voz de Cyro, descobri que aquela beleza toda era o samba que o Geraldo me oferecera”.

Mas se não gravou “Falsa baiana”, Paiva foi a voz na primeira gravação da belíssima “Se todos fossem iguais a você”, além de ter emprestado sua interpretação única em “Menino de Braçanã”, “Patrão o trem atrasou”, “Palpite infeliz” e tantas mais. Sua discografia é assunto obrigatório dos amantes da música popular brasileira.

Fonte: http://jornalggn.com.br/
            Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

Morre Zé Menezes, o Músico dos Mil Instrumentos



Morreu na noite desta quinta-feira (31), aos 93 anos, em Teresópolis, Região Serrana do Rio, o músico instrumentista José Menezes de França, o Zé Menezes, como era chamado. Ele estava internado no Hospital São José e a causa da morte ainda não foi divulgada.
Zé Menezes foi diretor musical na Rede Globo, onde ingressou na década de 70. Ele é autor, entre várias trilhas sonoras e consagradas, do tema de abertura de Os Trapalhões e de vinhetas como do Chico City e Viva o Gordo.
Nascido em Jardim, cidade no interior do Ceará, começou a se interessar pela música ainda na infância. Ganhou fama no pequeno município apelidado por Zé do Cavaquinho quando tinha apenas 9 anos. Um ano antes foi convidado pelo maestro Arlindo Cruz para tocar profissionalmente em um cinema de Juazeiro. Aos 11 passou a integrar a Banda Municipal de Juazeiro.
Em 1943, aos 22 anos, Zé Menezes deixou o Ceará a convite do radialista César Ladeira que o ouviu tocar e o convenceu a seguir carreira no Rio de Janeiro, então ainda capital federal. Quatro anos mais tarde ele foi contratado pela Rádio Nacional.
Sua primeira canção gravada foi o samba “Nova Ilusão”, composta em parceria com Luiz Bittecourt, com quem assinou vários sucessos. Quem a gravou foi o grupo “Os Cariocas”. Da parceria com Bittencourt se destacam ainda o samba-canção “Mais uma ilusão”, os choros “Sereno”, “Comigo é assim” e “Seresteiro”.

O samba “Nova Ilusão” chegou a ser gravado em inglês por Billy Eckstine. Quem também gravou composições de Zé Menezes foi Tom Jobim, entre outros músicos consagrados.
Com mais de 80 anos, já nos anos 2000, Zé Menezes lançou o projeto ‘Zé Menezes – Autoral’, que contemplava a gravação de três CDs e o registro em CD-Room de seus acervo digitalizado, incluindo partituras e suas composições.

Fonte: G1.com.br

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Morre o Último Integrante dos Vocalistas Tropicais


Faleceu ontem, em Fortaleza, Danúbio Barbosa Lima o último membro do grupo Vocalistas Tropicais. Seu amigo que lhe acompanhou durante sua doença, Luciano Hortêncio redigiu:
"Danúbio completou domingo passado, dia 11 de agosto de 2013, noventa e dois anos de idade. A data foi festejada duplamente, tendo em vista ser também Dia dos Pais. Logo após, talvez pela emoção ou mesmo por sua provecta idade, Danúbio Barbosa Lima teve que submeter-se a internamento hospitalar para curar-se de problemas respiratórios. Está lúcido e centrado, recebendo todos os cuidados e o carinho de sua esposa, a Funcionária Pública Federal Iraci Leite Barbosa Lima."

Os Vocalistas Tropicais foram um conjunto vocal e instrumental brasileiro formado em Fortaleza, Ceará, em 1941. O grupo teve várias formações até se definir, em 1946, com os seguintes componentes: os fortalezenses Nilo Xavier da Mota (*1922), líder, violão e arranjos; Raimundo Evandro Jataí de Sousa (*1926), vocal, viola americana e arranjos; Artur Oliveira (*1922), vocal e percussão; Danúbio Barbosa Lima (*1921), percussão; e o recifense Arlindo Borges (*1921), vocal e violão solo.


Apresentavam-se na Ceará Rádio Clube até 1944, quando excursionaram por São Luís do Maranhão, onde se apresentaram na Rádio Timbira e no Hotel Cassino Central, e em Manaus, AM, apresentando-se na Rádio Baré. Em 1945, o conjunto seguiu para o Rio de Janeiro em busca de melhores oportunidades de trabalho. Ali, eles assinaram contratos com a Rádio Mundial e com a gravadora Odeon, pela qual lançaram o primeiro disco, em 1946, com o fox Papai, Mamãe, Você e Eu, da autoria de Paulo Sucupira, e o balanceio Tão Fácil, Tão Bom, de Lauro Maia. Foi um sucesso. Nessa época, o cantor e compositor Paulo Sucupira integrou o conjunto, e gravou com eles os primeiros discos.

Em 1949, emplacaram seu primeiro sucesso de Carnaval: Jacarepaguá (Marino Pinto, Paquito e Romeu Gentil), que chegou a vencer o Concurso Oficial da Prefeitura do Distrito Federal, realizado no Teatro João Caetano.

Terminado o contrato com a Rádio Mundial, o grupo passou a se apresentar na Rádio Tupi. Eles trabalharam em diversos cassinos cariocas, antes mesmo destes serem fechados e proibidos, e participaram de cinco filmes brasileiros.

Participaram das revistas musicais Quem está de ronda é São Borja e Confete na Boca (1949 e 1950, respectivamente) com Dercy Gonçalves, realizados no Teatro Glória.

O grupo se desfez em 1963 por não ter mais espaço na mídia, como tantos outros artistas, deixando 49 discos em 78 rpm nas gravadoras Odeon, Copacabana e Continental.

Fontes: Facebook
              Wikipedia

domingo, 15 de junho de 2014

Morre Marlene, a Eterna Rainha do Rádio

A cantora Marlene morreu nesta sexta-feira (13), no Rio de Janeiro, por volta das 15h.  A grande estrela da era do rádio no Brasil se chamava Victória Delfino dos Santos e tinha 91 anos. O velório será no Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes, neste sábado (14), a partir das 8h. Às 9h, os portões serão abertos para que os fãs possam se despedir da cantora.



Por volta das 15h30, o corpo vai ser levado para o Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária do Rio, onde será cremado. Veja no vídeo ao lado a reportagem sobre seus 90 anos.
De acordo com o músico e compositor Hermínio Bello de Carvalho, Marlene foi hospitalizada há pelo menos três dias e estava internada na Casa de Portugal, no Rio Comprido, Zona Norte do Rio. Ela morreu de falência múltipla dos órgãos.

O sobrinho da cantora, Darcio Miranda, informou ao G1 que ela foi hospitalizada com hemorragia nasal neste domingo (8), mas o quadro evoluiu para uma pneumonia. Marlene chegou a ser internada, mas veio a ter falência múltipla dos órgãos nesta sexta.

Nasceu Victória Bonaiutti de Martino na capital paulista, no bairro da Bela Vista, conhecido reduto de ítalo-brasileiros. Seus pais eram italianos, e Victória Bonaiutti de Martino era a mais nova de três filhas. Ela herdou o nome do pai, que morreu sete dias antes de seu nascimento. A viúva, Antonieta, não se casou novamente, e criou sozinha as filhas, dando aulas de alfabetização no Instituto de Surdos e Mudos de São Paulo e como costureira.


Devota da Igreja Batista, internou a filha mais nova no Colégio Batista Brasileiro, cujas mensalidades foram dispensadas em troca de serviços prestados ao colégio, como arrumação dos quartos. Marlene estudou ali dos nove aos quinze anos, destacando-se nas atividades esportivas, assim como no coro juvenil da igreja.

Ao deixar o colégio, foi cursar a Faculdade do Comércio, situada na Praça da Sé, com o objetivo de se tornar contadora. Na mesma época, emprega-se, durante o dia, num escritório comercial. É quando começa a participar de uma entidade de estudantes, recém formada, a qual passa a dispor de um espaço na Rádio Bandeirantes, a Hora dos estudantes, programa em que seria cantora. Foi quando seus colegas estudantes, por eleição, escolheram seu nome artístico, em homenagem à atriz alemã Marlene Dietrich.

Carreira artística

Victória acabou deixando o curso de contadora em segundo plano, priorizando sua atividade artística. Então, em 1940, ela estreou como profissional na Rádio Tupi de São Paulo. Tudo isto, contudo, fez escondida da família, que, por razões religiosas e sociais vigorantes na época, não poderia admitir uma incursão no mundo artístico. O nome artístico esconderia sua verdadeira identidade até ser descoberta faltando aulas por causa de seu expediente na rádio, o que resultou num castigo exemplar da parte de sua mãe. Mas ela já estava decidida a seguir carreira.

Assim, em 1943, cercada pela desaprovação da família, ela partiu para o Rio de Janeiro, onde, após ser aprovada no teste com Vicente Paiva, passou a cantar no Cassino Icaraí, em Niterói. Ali permaneceu por dois meses até conhecer Carlos Machado, que a convidou para o Cassino da Urca, contratando-a como vocalista de sua orquestra.

Em 1946, houve a proibição dos jogos de azar e o consequente fechamento dos cassinos por decreto do presidente Eurico Gaspar Dutra. Marlene, então, mudou-se com a orquestra de Carlos Machado para a Boate Casablanca. Dois anos depois, tornou-se artista do Copacabana Palace a convite de Caribé da Rocha, que a promoveu de crooner a estrela da casa.

  

Passou a atuar também na Rádio Mayrink Veiga e, no ano seguinte, na Rádio Globo. Nesse ínterim, já se tinha dado sua estreia no disco, pela Odeon, em meados de 1946, com as gravações dos sambas Suingue no morro (Amado Régis e Felisberto Martins) e Ginga, ginga, moreno (João de Deus e Hélio Nascimento). Mas foi no carnaval do ano seguinte que Marlene emplacou seu primeiro sucesso, a marchinha Coitadinho do papai (Henrique de Almeida e M. Garcez), em companhia dos Vocalistas Tropicais, campeã do concurso oficial de músicas carnavalescas da Prefeitura do Distrito Federal. E foi cantando esta música que ela estreou no programa César de Alencar, na Rádio Nacional, com grande sucesso, em 1948. Marlene se tornaria uma das maiores estrelas da emissora, recebendo o slogan Ela que canta e dança diferente. Ainda nesse ano, foi contratada pela gravadora Continental, estreando com os choros Toca, Pedroca (Pedroca e Mário Morais) e Casadinhos (Luís Bittencourt e Tuiú), este cantado em duo com César de Alencar. Marlene esperou o fim de seu contrato com o Copacabana Palace para abandonar os espetáculos nas boates, dedicando-se ao rádio, aos discos e, posteriormente, ao cinema e ao teatro.

Rainha do Rádio

Nessa época, a maior estrela da Rádio Nacional era Emilinha Borba, mas as irmãs Linda e Dircinha Batista eram também muito populares, e as vencedoras, por anos consecutivos, do concurso para Rainha do Rádio. Este torneio era coordenado pela Associação Brasileira de Rádio, sendo que os votos eram vendidos com a Revista do Rádio e a renda era destinada para a construção de um hospital para artistas. Então, em 1949, Marlene venceu o concurso de forma espetacular. Para tal, recebeu o apoio da Companhia Antarctica Paulista. A empresa de bebidas estava prestes a lançar no mercado um novo produto, o Guaraná Caçula, e, atenta à popularidade do concurso, pretendiam usar a imagem de Marlene, Rainha do Rádio, como base de propaganda de seu novo produto, dando-lhe, em troca, um cheque em branco, para que ela pudesse comprar quantos votos fossem necessários para sua vitória. Assim, Marlene foi eleita com 529.982 votos. Ademilde Fonseca ficou em segundo lugar, e Emilinha Borba, dada como vencedora desde o início do concurso, ficou em terceiro. Desse modo, originou-se a famosa rivalidade entre os fãs de Marlene e Emilinha, uma rivalidade que, de fato, devia muito ao marketing e que contribuiu expressivamente para a popularidade espantosa de ambas as cantoras pelo país. Prova disso foram as gravações que elas fizeram em dueto naquele ano, com o samba Já vi tudo (Amadeu Veloso e Peter Pan) e a marchinha Casca de arroz (Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti). Foram sucessos no Carnaval de 1950, e no começo desse ano, com a marchinha A bandinha do Irajá (Murilo Caldas), também sucesso no Carnaval.

*As Eternas Amigas - e Rivais - na disputa do Trono de Rainha do Rádio

A eleição para Rainha do Rádio ainda lhe rendeu um programa exclusivo na Rádio Nacional, intitulado Duas majestades, e um novo horário no programa Manuel Barcelos, em que permaneceu como estrela até o fechamento do auditório da Rádio Nacional. A estrela Marlene ajudou vários colegas seus, inclusive usando seu prestígio e influência junto à direção da Rádio Nacional, trouxe para a emissora,as vozes de Jorge Goulart e Nora Ney, que ali permaneceram por décadas, só saindo por causa de problemas com o governo da época da ditadura militar no país.Também foi Marlene a madrinha de um de seus frenéticos fãs, o jovem Luís Machado,que veio a ser locutor comercial dos programas, de Manuel Barcelos. Participou também de outros programas, como o de César de Alencar, o de Paulo Gracindo, bem como Gente que brilha, Trem da alegria, Show dos bairros e o de José Messias,porem o jovem locutor Luís Machado deixou a rádio,também com problemas com o governo da ditadura militar, saindo junto com Cesar de Alencar, e vários outros artistas,que não se enquadravam àquele regime governamental. Luís posteriormente dedicou-se aos estudos,não voltando ao rádio,devido a variações em suas cordas vocais,embora não concluindo a faculdade de direito de Valença. Deixou a faculdade para seguir a profissão de Motorista de ônibus em turismo rodoviário,porém mantendo-se como fã fiel á grande Marlene, a quem agradece até os dias de hoje,atualmente com 59 anos a oportunidade por ela oferecida.

Marlene manteve o título ainda pelo ano seguinte. Ela então passou a ser cantora exclusiva do programa Manuel Barcelos, enquanto que Emilinha tornou-se exclusiva do de César de Alencar. Ainda naquele ano, gravou dois de seus maiores sucessos, acompanhada d'Os Cariocas, Severino Araújo e Orquestra Tabajara: os baiões Macapá e Que nem jiló (Humberto Teixeira e Luís Gonzaga). Participou da revista Deixa que eu chuto, no Teatro João Caetano, no Rio. Atuou intensamente no teatro musicado, excursionando pelo exterior e por todo o Brasil em inúmeros espetáculos. Participou também do filme Tudo Azul, ao lado do futuro marido Luís Delfino, produzido por Rubens Berardo e dirigido por Moacyr Fenelon. Marlene também teve um programa exclusivo que ia ao ar aos sábados às 20 horas Intitulado Marlene Meu Bem, juntamente com seu marido Luís Delfino.

Fontes: Wikipedia
              G1.com.br

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A Copa na Mocambo - A Sagração em 78 rpm.

Lá vão os idos de 1958...Finalmente o Brasil ganhava sua primeira copa. Devido a autonomia dos aeroplanos da época, as escalas europeias passavam impreterivelmente no Nordeste, para abastecimento e seguir viagem - e não seria diferente com o avião que trouxe a Seleção de Vicente Feola, que tinha ordens expressas do então presidente Juscelino Kubitschek para demorar o mínimo possível em terras pernambucanas, enquanto a Capital Federal fervilhava para receber festivamente os primeiros heróis mundiais da nossa amada pelota - planos esses suspensos pelo generalíssimo senhor Presidente da Federação Pernambucana de Futebol, o lendário Rubem Moreira, vulgo Rubão, presidente da FPF de 1955 a 1984, ano de sua morte.











































































*Rubem moreira - Rubão, entregou a cada um dos jogadores uma cópia do disco personalizada.


Sem que a comissão técnica nem os jogadores soubessem, foi montada uma imensa programação no Recife para os craques campeões do mundo - e homenagens especiais a Vavá, o Leão da Copa, recifense - onde incluía desfile em carro aberto e almoço regado a discursos no Clube Português. Pelo menos metade do dia se havia gasto pra quem estava apenas de passagem...

























Em plena Copa de 1958, com a expectativa do Brasil ser campeão mundial, o futebol entrou definitivamente na história da Rozenblit. Naquela época, o complexo fonográfico contava com 190 funcionários – o que dava uma agilidade maior no lançamento dos discos. Mas nada como o que aconteceu naquela Copa.

José Rozenblit, presidente da Fábrica de Discos Rozenblit, desportista e presidente à época do Sport Club do Recife, encomendou a Nelson Ferreira uma composição celebrando o feito. O maestro compôs (com Aldemar Paiva), "Brasil, Campeão do Mundo", uma marcha-hino. No lado B do 78 rpm que teve o samba "Escola de Feola", de outro craque da música pernambucana, Luís Queiroga, como faixa principal, gravada pelos Três Bohemios. A música "Brasil, Campeão do Mundo" ficou a cargo da Orquestra e Coro Mocambo (o qual acredito ser Claudionor Germano no canto solo).


*Homenagem da Mocambo aos atletas da Copa de 1958 - selo estilizado nas cores nacionais - Acervo Particular.

Rozenblit determinou que, se o Brasil ganhasse, todos os funcionários deveriam estar na fábrica meia hora após o jogo. Com todo mundo trabalhando, às 16h daquele mesmo 29 de junho de 1958 as duas composições já estavam tocando nas rádios do Recife.

O disco 78 rotações para os Campeões do Mundo foi produzido em tempo recorde. Cada um dos jogadores ganhou uma cópia personalizada do disco.

Nesse dia, chovia às bicas no Recife quando o avião, com 3 horas de atraso aterrissou no Aeroporto dos Guararapes. A multidão lotava o aeroporto e ameaçava invadir a pista. O governador, marechal Cordeiro de Farias e a primeira dama, ambos com as roupas encharcadas, deram as boas vindas aos craques. Bellini, o capitão da seleção foi o primeiro a desembarcar. Vendo a multidão, a chuva, as autoridades, apenas exclamou: "Parece mentira..."


Logo em seguida, teria início o embate verbal que quase terminava em corporal, entre o presidente da FPF, Rubão Moreira e Paulo Machado de Carvalho, presidente da delegação brasileira (e dono da Rádio e TV Record de São Paulo). Sem interesse em permanecer em solo pernambucano, mais do que necessário, quando lhe foi dito que havia uma recepção preparada para homenagear os campeões do mundo, o cartola paulista avisou às autoridades pernambucanas ter recebido ordens expressas para o avião embarcar imediatamente para o Rio. Rubão, em tom desafiante, afirmou que a aeronave não decolaria sem que fosse prestada a homenagem. "Ante a alegação do sr. Paulo Machado de Carvalho de que tinha ordem do presidente da República de não sair do aeroporto, o presidente da Federação Pernambucana declarou que, mesmo assim, os jogadores teriam que ir à cidade, pois gastara vultosa quantia com um almoço para os craques 'Ou os campeões vão à cidade, ou o avião não sai daqui'" - ameaçou categórico, segundo matéria vinculada no Jornal do Brasil, de 3 de agosto de 1958, assinada por Luis Gutenberg, que veio com a delegação.

O presidente da Federação Paulista de Futebol, deputado Mendonça Falcão, entrou na discussão. Falcão tornou-se famoso pelas antológicas gafes que cometia e por esquentar a cabeça facilmente. Conta-se que em 1963, ele chefiou a delegação brasileira que jogou um amistoso contra a Alemanha Ocidental, em Munique. A seleção recebeu um convite para visitar o tristemente campo de concentração nazista de Dachau. Mendonça Falcão foi terminantemente contra e esclareceu: "Em véspera de jogo, time meu não visita concentração de adversário". Naquela manhã, na pista do aeroporto dos Guararapes, observando o bate-boca entre Paulo Machado de Carvalho e o presidente da Federação Pernambucana, interferiu apoquentado. Berrou para Rubem que tal violência constituía-se um caso de polícia. "Acontece que a polícia aqui é nossa" respondeu, peremptório, o intrépido Rubão, acabando com a discussão.

A seleção desfilou em carro aberto pelas principais avenidas do Recife, em caminhão do Corpo de Bombeiros, no qual também foi o pai do centroavante Vavá, o Leão da Copa. Quando finalmente, adentraram o salão do Clube Português, os craques foram recebidos ao som da marcha-hino de Nelson Ferreira e Aldemar Paiva que, com o samba de Luiz Queiroga, foi a trilha do almoço dos campeões.

Fontes: Jornal do Commercio
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