segunda-feira, 29 de abril de 2013

Morre Paulo Vanzolini

Paulo Vanzolini morreu no dia 28 de abril de 2013, em São Paulo, aos 89 anos . Ele estava internado desde o dia 25 na UTI do Hospital Albert Einstein, com uma pneumonia extensa. Mais um grande compositor que deixará uma imensa lacuna na Música Popular Brasileira.




Paulo Emílio Vanzolini (São Paulo, 25 de abril de 1924 — São Paulo, 28 de abril de 2013) foi um zoólogo e compositor brasileiro, autor de famosas canções como "Ronda", "Volta por Cima" e "Na Boca da Noite".
É um dos idealizadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e ativo colaborador do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, que com seu trabalho aumentou a coleção de répteis de cerca de 1,2 mil para 230 mil exemplares.

Adaptou a Teoria dos Refúgios a partir de estudos conjuntos com o geomorfologista Aziz Ab'Saber e com o americano Ernest Williams. Refúgio foi o nome dado ao fenômeno detectado nas expedições de Vanzolini pela Amazônia, quando o clima chega ao extremo de liquidar com uma formação vegetal, reduzindo-a a pequenas porções. Assim formam-se espaços vazios no meio da mata fechada.


BIOGRAFIA

Seu pai, engenheiro, foi com a família para o Rio de Janeiro quando Paulo tinha quatro anos. A família voltou para São Paulo dois anos depois, em 1930. Paulo cursou o primário no Colégio Rio Branco e o ginásio em escola pública. onde se formou em 1938. Em 1942 ingressou na Faculdade de Medicina. Junto com um grupo de estudantes, passou a frequentar as rodas boêmias e a compor seus primeiros sambas. Em 1944, deixou a casa dos pais e começou a trabalhar com um primo, Henrique Lobo, na Rádio América, no programa Consultório Sentimental, de Cacilda Becker. Em seguida, foi convocado para o Exército, interrompendo os estudos. Dois anos depois retomou o curso de Medicina, passou a lecionar no Colégio Bandeirantes e começou a trabalhar no Museu de Zoologia, da Universidade de São Paulo.
Formou-se em 1947 e se casou em 1948, com Ilse. No ano seguinte, foi para os Estados Unidos, onde obteve o doutorado em Zoologia pela Universidade de Harvard.

Em 1951, por insistência do amigo Geraldo Vidigal, publicou pelo Clube de Poesia o livro Lira de Paulo Vanzolini.2 No mesmo ano, compôs o samba Ronda.

Em 1953, foi convidado por Raul Duarte para trabalhar na TV Record, produzindo os programas de Araci de Almeida. Nesse ano, o cantor Bola 7 fez a primeira gravação de Ronda, acompanhado por Garoto e Meneses, nas cordas, Mestre Chiquinho no acordeão e Abel na clarineta.

Em 1959, o violonista José Henrique, dono da boate Zelão, mostrou o samba Volta por Cima ao cantor Noite Ilustrada, que o lançou em 1963, pela Philips, com estrondoso sucesso. Nesse mesmo ano Paulo Vanzolini foi nomeado diretor do Museu de Zoologia.

Em novembro de 1967, Luís Carlos Paraná, da boate Jogral, e Marcus Pereira, dono de uma agencia de publicidade, resolveram produzir um LP com as composições inéditas de Paulo Vanzolini, conhecidas apenas por seus amigos frequentadores das mesmas rodas de samba.

Paulo Vanzolini filmou três documentários com o diretor Ricardo Dias, de cujo pai era amigo. Os dois primeiros sobre o seu trabalho como zoólogo e o terceiro sobre sua obra musical.




PRÊMIOS E CONDECORAÇÕES

Paulo Vanzolini foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.

Em agosto de 2008, o cientista e compositor foi também premiado pela Fundação Guggenheim, em Nova Iorque, em virtude de suas contribuições para o progresso da ciência. O mesmo prêmio foi dado a três outros cientistas brasileiros, em outras áreas além da biologia.


Táxons nomeados em sua homenagem

Alpaida vanzolinii Levi, 19886 -- (Arachnida, Araneidae)
Alsodes vanzolinii (Donoso-Barros, 1974)7 -- (Amphibia, Cycloramphidae)
Amphisbaena vanzolinii Gans 19638 -- (Reptilia, Amphisbaenidae)
Anolis vanzolinii (Williams, Orces, Matheus, Bleiweiss 1996)9 -- (Reptilia, Polychrotidae)
Cochranella vanzolinii Taylor & Cochran 195310 -- (Amphibia, Centrolenidae)
Dendrobates vanzolinii Myers, 198211 -- (Amphibia, Dendrobatidae)
Exallostreptus vanzolinii Hoffman 198812 -- (Diplopoda, Spirostreptidae)
Gymnodactylus vanzolinii Cassimiro & Rodrigues 200913 -- (Reptilia, Phyllodactylidae)
Hylodes vanzolinii Heyer 198214 -- (Amphibia, Hylodidae)
Liophis vanzolinii Dixon 198515 -- (Reptilia, Colubridae)
Nausigaster vanzolinii Andretta & Carrera 195216 -- (Insecta, Syrphidae)
Phrynomedusa vanzolinii Cruz 199117 -- (Amphibia, Hylidae)
Psittoecus vanzolinii Guimarães 197418 -- (Insecta, Philopteridae)
Saimiri vanzolinii Ayres 198519 -- (Mammalia, Primates, Cebidae)
Vanzosaura Rodrigues 199120 -- (Reptilia, Gymnophthalmidae)

Fonte: Wikipedia
           Fotos retiradas da internet

quinta-feira, 28 de março de 2013

Claribalte Passos - 90 Anos de Um Conterrâneo

Neste último dia 25 de março, se vivo estivesse, o escritor, compositor, jornalista, advogado e folclorista caruaruense (meu conterrâneo...) estaria fazendo 90 anos.


*Claribalte Passos e Dorival Caymmi, anos 50

Formou-se Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais mas acabou seguindo a carreira de jornalista. Em 1944, mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a trabalhar no jornal Folha Carioca. Teve uma coluna sobre música popular na revista Carioca. Atuou ainda nas revistas "Noite Ilustrada", "Cena Muda" e "Revista da Semana", e nos jornais Vanguarda, Diário Carioca e Folha de Minas. Escreveu ainda uma coluna musical na fase inicial do jornal Última Hora. De 1955 a 1966 foi redator e colunista do jornal carioca Correio da Manhã. Foi supervisor de imprensa do Departamento de Discos da RCA Victor Rádio S/A.

Foi chefe da Divisão de Informações do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), no Rio de Janeiro. Dirigiu a revista Brasil Açucareiro. Foi filiado à Sbacem e ao sindicato dos músicos do Rio de Janeiro.

Em 1969, foi eleito para a vaga de Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, no Conselho Superior de Música Popular Brasileira do Museu da Imagem e do Som. Pertenceu à Ordem dos Músicos do Brasil e foi um dos fundadores da Orquestra Sinfônica Brasileira, da qual exerceu o cargo de Diretor-Secretário. Em 1973, foi eleito por unanimidade para a Academia Pernambucana de Letras.

Curiosamente, uma música de sua autoria foi incluída no primeiro disco prensado no Brasil e na América do sul, o "Carnaval em Long Playing", pela Capitol, em 1951.


*Primeiro LP prensado na América do sul - primazia brasileira - ainda no formato em 10 polegadas


Compôs sambas, valsas e boleros, além de versões para fox e beguines. Entre seus principais parceiros esteve o maestro Lírio Panicali.

Em 1950, teve a marcha "Minha linda lusitana", com Jorge Murad e o frevo-canção "Morena de Copacabana" gravados pelas Irmãs Meireles na Sinter. No mesmo ano, e na mesma gravadora, os sambas "Ornamento do mundo", com Sátiro de Melo e Jorge Murad, e "Arte do diabo", com Sátiro de Melo, foram gravados por Carlos Tovar, e a marcha "Gegê", com Antônio Valentim dos Santos, gravada por Marion. Esta marcha por sinal, foi uma das composições daquele ano a sauda a volta do presidente Getúlio Vargas ao poder. No ano seguinte, a cantora Elda Mayda gravou o bolero "Si um dia tu quizieras", com Almeida Rego; Ernâni Filho o fox "Lua azul", versão do fox "Blue moon", de Rodgers e Hart, e Mary Gonçalves o bolero "Aquele beijo", com Lírio Panicali, os três na gravadora Sinter. Teve ainda o samba "Leonor", com Marino Pinto e Lírio Panicali, gravado também na Sinter por Sílvio Caldas. Também em 1951, a "Marcha de Copacabana" foi cantada pelas Irmãs Meireles e incluída no primeiro LP lançado no Brasil, "Carnaval em long-playing", do selo Capitol-Sinter.

Em 1952, sua marcha "Meu cavalo Alumínio", com Lírio Panicali, foi gravada na Sinter por José Menezes. No mesmo ano, fez o beguine "Meu coração é seu", versão para a música "My heart is yours", do norte americano Rodgers, gravado pela cantora Zezé Gonzaga, e a versão "Só penso em você", para música de Al Dubin, gravada por Neusa Maria, as duas na Sinter.

Em 1953, sua marcha "Ferro velho", com Celso Garcia, e o samba "Ciúme" foram gravados pelas Irmãs Vocalistas, o samba-canção "Não sei" foi lançado por Alda Perdigão, e o samba "A luz dos teus olhos" foi gravado por Leni Caldeira. No ano seguinte, a cantora Neusa Maria gravou o bolero "Somente ilusão". Em 1955, teve a "Valsa da formatura", parceria com o maestro Lírio Panicali, gravada por Jorge Goulart na Continental. Dois anos depois o samba "Centenário de Caruaru" foi gravado na Continental pela Bandinha 19 de Abril. Em 1956, o frevo-canção "Dê um pulinho pra cá" foi gravado na Polydor por Coro e Orquestra. Três anos depois a valsa "Natal" foi registrada na Polydor pela cantora Dalva de Andrade.

Em 1961, seu samba "O samba brasileiro" foi gravado por Elza Soares no LP "A bossa negra", da Odeon. Na mesma época, esse samba foi regravado na Mocambo por Carmélia Alves no LP "Bossa nova com Carmélia Alves", e também por Walter Wanderley e seu conjunto em disco de 78 rpm. Fez o frevo "Recife 400 anos", que deu nome ao LP gravado por Severino Araújo e Orquestra Tabajara em homenagem aos 400 anos da cidade de Recife e lançado pela Continental em 1961. Compôs em 1963 o "O samba brasileiro nº 2", gravado na CBS pelo cantor Joel Rosa. Dois anos depois, lançou o estudo " Folclore e tradição". Em 1966, publicou o livro "A cana de açúcar no folclore" e no ano seguinte, "Judith Cleason e o folclore do negro no Brasil". Em 1968, publicou o estudo "Música popular brasileira". Nesse ano, escreveu o prefácio para o livro "Prelúdio da cachaça", de Câmara Cascudo, editado pelo Instituto do Açúcar e do Álcool. Em 1969, publicou o livro "Raízes folclóricas na música popular moderna", lançando dois anos depois, "Alfenim: açúcar com alma de gente".

Em 1972, lançou o livro "Valdevino Felicidade - filósofo do engenho", e no ano seguinte " A arte da xilogravura na terra do açúcar".

Teve músicas gravadas por Zezé Gonzaga, Neusa Maria, Mary Gonçales, José Menezes, Elza Soares e Carmélia Alves, entre outros. Seu maior sucesso foi "O samba brasileiro" que teve mais de dez gravações inclusive uma nos Estados Unidos.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira
Fotos retiradas da internet

quinta-feira, 21 de março de 2013

Sesquicentenário do Chopin Brasileiro - Ernesto Nazareth

Se o grande Ernesto Nazareth estivesse vivo, teria completado ontem (20/03) 150 anos. Ernesto Júlio de Nazareth (Rio de Janeiro, 20 de março de 1863 — 1º de Fevereiro de 1934) foi um pianista e compositor brasileiro, considerado um dos grandes nomes do Tango Brasileiro, atualmente (desde a década de 20 do século XX) considerado um subgênero do choro.


*Ernesto Nazareth aos 43 anos


BIOGRAFIA

Ernesto Nazareth nasceu na casa nº 9 da Rua do Bom Jardim (atual Rua Marquês de Sapucaí), na encosta do então Morro do Nheco (hoje Morro do Pinto), na região do Porto do Rio de Janeiro. Era filho do despachante aduaneiro Vasco Lourenço da Silva Nazareth e de D. Carolina Augusta da Cunha Nazareth. Sua mãe foi quem lhe apresentou ao piano e lhe ministrou as primeiras noções do instrumento, mas após a sua morte, em 1874, Nazareth passou a receber lições de Eduardo Rodolpho de Andrade Madeira, amigo da família, e, mais tarde, lições de Charles Lucien Lambert, um afamado professor de piano de Nova Orleans, radicado no Rio de Janeiro e grande amigo de Louis Moreau Gottschalk.



Louis Moreau Gottschalk (1829-1869)


Aos 14 anos compôs sua primeira música, a polca-lundu "Você bem sabe", editada, no ano seguinte, pela famosa Casa Arthur Napoleão.

Em 1879, escreveu a polca "Cruz, perigo!!". Em 1880, com 17 anos de idade fez sua primeira provável apresentação pública, no Club Mozart. No ano seguinte, compôs a polca "Não caio noutra!!!", seu primeiro grande sucesso, com diversas reedições. Em 1885, apresentou-se em concertos em diferentes clubes da corte. Em 1893, a Casa Vieira Machado lançou uma nova composição sua, o tango "Brejeiro", com o qual alcançou sucesso nacional e até mesmo internacional, sendo pulicada em Paris e nos EUA em 1914.
Em 14 de julho de 1886, casou-se com Theodora Amália Leal de Meirelles, com quem teve quatro filhos: Eulina, Diniz, Maria de Lourdes e Ernestinho.


*Theodora Amália, esposa de Nazareth (c. 1875)


Seu primeiro concerto como pianista realizou-se em 1898. No ano seguinte foi feita a primeira edição do tango "Turuna". Em 1902, teve sua primeira obra gravada, o tango brasileiro "Está Chumbado" pela Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Em 1904 sua composição "Brejeiro" foi gravada pelo cantor Mário Pinheiro com o título de "O sertanejo enamorado", com letra de Catulo da Paixão Cearense. Em 1908, começou a trabalhar como pianista na Casa Mozart. No ano seguinte, participou de recital realizado no Instituto Nacional de Música, interpretando a gavotta "Corbeille de fleurs" e o tango característico "Batuque".



Em 1919, começou a trabalhar como pianista demonstrador da Casa Carlos Gomes à Rua Gonçalves Dias, de propriedade do também pianista e compositor Eduardo Souto, com a função de executar músicas para serem vendidas. Na época, a maneira mais comum de se tomar conhecimento das as novidades musicais era através das casas de música e seus pianistas demonstradores. Não havia rádio, os discos eram raros, e o cinema, mudo. Em 1919, a Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro gravou os tangos "Sarambeque" e "Menino de ouro" e a valsa "Henriette". E em 1920, Heitor Villa-Lobos dedicou a ele a peça "Choros nº 1", para violão.




Intérprete constante de suas próprias composições, Nazareth apresentava-se como pianista em salas de cinema, bailes, reuniões e cerimônias sociais. De 1909 a 1913, e de 1917 a 1918, trabalhou na sala de espera do antigo Cinema Odeon (anterior ao prédio moderno da Cinelândia), onde muitas personalidades ilustres iam àquele estabelecimento apenas para ouvi-lo. Foi em homenagem à famosa sala de exibições que Nazareth batizou sua composição mais famosa, o tango "Odeon". No mesmo Cine Odeon travou conhecimento, entre outros, com o pianista Arthur Rubinstein e com o compositor Darius Milhaud, que viveu no Brasil entre 1917 e 1918 como secretário diplomático da missão francesa.



"Seu jogo fluido, desconcertante e triste ajudou-me a compreender melhor a alma brasileira", declarou Milhaud sobre Ernesto Nazareth. Trechos de canções de Nazareth foram citadas por Milhaud em seu balé Le Boeuf sur le Toit (O Boi no Telhado) e a suíte "Saudades do Brasil".

Em 1922 foi convidado pelo compositor Luciano Gallet a participar de um recital no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, onde executou seus tangos "Brejeiro", "Nenê", "Bambino" e "Turuna". Esta iniciativa encontrou resistência, tendo sido necessária a intervenção policial para garantir a realização do concerto.

Em 1926, Nazareth embarcou para uma turnê no estado de São Paulo, que foi planejada inicialmente para durar 3 meses, mas acabou se prolongando por 11 meses, com concertos na Capital, Campinas, Sorocaba e Tatuí. Tinha então 63 anos, e foi a primeira vez que saiu do estado do Rio de Janeiro. Foi homenageado pela Cultura Artística de São Paulo e tocou no Conservatório Dramático e Musical de Campinas.

Apresentou-se no Teatro Municipal de São Paulo, sendo precedido por uma conferência do escritos e musicólogo Mário de Andrade, sobre sua obra, na qual afirmou: "Por todos esses caracteres e excelências, a riqueza rítmica, a falta de vocalidade, a celularidade, o pianístico muito feita de execução difícil, a obra de Ernesto Nazaré se distancia da produção geral congênere. É mais artística do que a gente imagina pelo destino que teve, e deveria estar no repertório dos nossos recitalistas. Posso lhes garantir que não estou fazendo nenhuma afirmativa sentimental não. É a convicção desassombrada de quem desde muito observa a obra dele. Se alguma vez a prolixidade encomprida certos tangos, muitas das composições deste mestre de dança brasileira são criações magistrais, em que a força conceptica, a boniteza da invenção melódica, a qualidade expressiva, estão dignificadas por uma perfeição de forma e equilíbrio surpreendentes". Em 1927, Nazareth retornou ao Rio de Janeiro.




Foi um dos primeiros artistas a tocar Rádio Sociedade (atual Rádio MEC do Rio de Janeiro). Em 1930, concluiu sua última composição, a valsa "Resignação". No mesmo ano, gravou ao piano a polca "Apanhei-te, cavaquinho" e os tango brasileiros "Escovado", "Turuna" e "Nenê" de sua autoria. Em 1932, apresentou um recital só com músicas de sua autoria em um concerto precedido por uma conferência de Gastão Penalva. Neste mesmo ano realizou uma turnê pelo sul do país.

Vivia em uma casa no bairro de Ipanema desde 1917. Nos final dos anos 1920, seu problema de audição é agravado, sendo resultante de uma queda que sofreu na infância. Em 1932 é diagnosticado como portador de sífilis e em 1933 é internado na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá.

No dia 1 de fevereiro de 1934, Nazareth fugiu do manicômio. Seu corpo só foi encontrado três dias depois, em estado de decomposição, próximo a uma cachoeira. Foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier, no Caju, mesma região da cidade onde nasceu.



Deixou 211 peças completas para piano. E suas obras mais conhecidas são: "Apanhei-te, cavaquinho", "Ameno Resedá" (polcas), "Confidências", "Coração que sente", "Expansiva", "Turbilhão de beijos" (valsas), "Odeon", "Fon-fon", "Escorregando", "Brejeiro" "Bambino" (tangos brasileiros).

Nota: No fim do século XIX e começo do XX, a palavra "choro" designava não um gênero, mas certos conjuntos musicais (compostos de flauta, cavaquinho e violões) que animavam festas (forrobodós) tocando polcas, lundus, habaneras e mazurcas e outros gêneros estrangeiros de uma maneira sincopada. O tango Brasileiro foi criado pelos chorões como uma variante altamente sincopada da habanera, gênero cubano que também era chamado tango-habanera, e que na sua variante brasileira passou a ser chamado tango brasileiro. Na sua forma de música de dança passou a ser designado de maxixe, dança proibida ou mal vista na época de Nazareth. Dava-se o nome de "Tango Brasileiro" para se esconder a relação com o maxixe dessas composições. Alguns relatos afirmam também uma diferença com relação a harmonia, sendo a do Tango Brasileiro um pouco mais complexa do que de seu "irmão", o Maxixe.

Fonte: Linha do tempo da vida de Ernesto Nazareth (http://www.ernestonazareth150anos.com.br/Events)

IMPORTÂNCIA MUSICAL


Suas composições, apesar de extremamente pianísticas, por muitas vezes retrataram o ambiente musical das serestas e choros, expressando através do instrumento a musicalidade típica do violão, da flauta, do cavaquinho, instrumental característico do choro, fazendo-o revelador da alma brasileira, ou, mais especificamente, carioca. A esse respeito, diz o musicólogo Mozart de Araújo: "As características da música nacional foram de tal forma fixadas por ele e de tal modo ele se identificou com o jeito brasileiro de sentir a música, que a sua obra, perdendo embora a sua funcionalidade coreográfica imediata, se revalorizou, transformando-se hoje no mais rico repositório de fórmulas e constâncias rítmico-melódicas, jamais devidas, em qualquer tempo, a qualquer compositor de sua categoria". Na produção musical do compositor, destacam-se numericamente os tangos (em torno de 90 peças), as valsas (cerca de 40) e as polcas (cerca de 20), destinando-se o restante a gêneros variados como mazurcas, schottisches, marchas carnavalescas etc. É sabido que o compositor rejeitava a denominação de maxixe a seus tangos, distinguindo-se daquele fundamentalmente pelo caráter pouco coreográfico e predominantemente instrumental de sua obra. Deve-se ainda ressaltar em sua produção a influência de compositores europeus, notadamente de Chopin, compositor cuja obra se dedicou a estudar meticulosamente e cuja inspiração se reflete, sobretudo, na elaboração melódica de suas valsas.



Ernesto Nazareth ouviu os sons que vinham da rua, tocados por nossos músicos populares, e os levou para o piano, dando-lhes roupagem requintada. Sua obra se situa, assim, na fronteira do popular com o erudito, transitando à vontade pelas duas áreas. Em nada destoa se interpretada por um concertista, como Arthur Moreira Lima, ou um chorão como Jacob do Bandolim. O espírito do choro estará sempre presente, estilizado nas teclas do primeiro ou voltando às origens nas cordas do segundo. E é esse espírito, essa síntese da própria música de choro, que marca a série de seus quase cem tangos-brasileiros, à qual pertence "Odeon".

Mário de Andrade assim definiu Nazareth: "compositor brasileiro dotado de uma extraordinária originalidade, porque transita com fôlego entre a música popular e erudita, fazendo-lhe a ponte, a união, o enlace".

Em 2004, por ocasião dos 70 anos da morte do compositor, a STV em parceria com a produtora paulistana We Do Comunicação apresentou o documentário "Ernesto Nazareth", com direção de Dimas de Oliveira Junior e Felipe Harazim, refazendo a trajetória artística do compositor desde seu primeiro sucesso, "Você bem sabe", de 1877, quando tinha 14 anos. Estão presentes no documentário declarações das pianistas Eudóxia de Barros e Maria Teresa Madeira, do compositor Osvaldo Lacerda, e do biógrafo Luiz Antonio de Almeida, entre outros.

COMPOSIÇÕES:

1922, tango brasileiro
A Bela Melusina, polca
A flor de meus sonhos, quadrilha
A florista, cançoneta
A Fonte do Lambary, polca
A Fonte do Suspiro, polca
Adieu, romance sem palavras
Alerta!, polca
Ameno Resedá, polca
Andante expressivo, andante expressivo
Apanhei-te, cavaquinho, polca
Arreliado, tango brasileiro
Arrojado, samba
Arrufos, schottisch
Até que enfim..., fox-trot
Atlântico, tango brasileiro
Atrevidinha, polca
Atrevido, tango brasileiro
Bambino, tango brasileiro
Batuque, tango característico
Beija-flor, polca
Beija-flor, tango brasileiro
Bicyclette-club, tango brasileiro
Bombom, polca
Brejeira, valsa brasileira
Brejeiro, tango brasileiro
Caçadora, polca
Cacique, tango brasileiro
Canção cívica, Rio de Janeiro hino
Capricho, capricho
Cardosina, valsa
Carioca, tango brasileiro
Catrapus, tango brasileiro
Cavaquinho, por que choras?, choro brasileiro
Celestial, valsa
Chave de ouro, tango brasileiro
Chile-Brasil, quadrilha
Comigo é na madeira, samba
Confidências, valsa
Coração que sente, valsa
Corbeille de fleurs, gavota
Correta, polca
Crê e espera, valsa
Crises em penca!..., samba
Cruz, perigo!!, polca
Cruzeiro, tango brasileiro
Cubanos, tango brasileiro
Cuéra, polca-tango
Cuiubinha, polca-lundu
Cutuba, tango brasileiro
De tarde (incompleta), música dramática
Delightfulness (Delícia), fox-trot
Dengoso, maxixe
Desengonçado, tango brasileiro
Digo, tango característico
Dirce, valsa capricho
Divina, valsa
Dor secreta, valsa lenta
Dora valsa,
Duvidoso, tango brasileiro
Elegantíssima, valsa capricho
Elegia (para mão esquerda), elegia
Elétrica, valsa rápida
Elite-club, valsa brilhante
Encantada, schottisch
Encantador, tango brasileiro
Eponina, valsa
Escorregando, tango brasileiro
Escovado, tango brasileiro
Espalhafatoso, tango brasileiro
Españolita, valsa espanhola
Está chumbado, tango brasileiro
Eulina, polca-lundu
Expansiva, valsa
Êxtase, romance
Exuberante, marcha carnavalesca
Faceira, valsa
Famoso, tango brasileiro
Fantástica, valsa brilhante moderna
Favorito, tango brasileiro
Feitiço, tango brasileiro
Feitiço não mata, chorinho carioca
Ferramenta, fado português
Fidalga, valsa
Floraux, tango brasileiro
Fon-fon!, tango brasileiro
Fora dos eixos, tango carnavalesco
Fraternidade (incompleta), hino infantil
Furinga, tango brasileiro
Garoto, tango brasileiro
Gaúcho, tango brasileiro
Gemendo, rindo e pulando, tango brasileiro
Genial, valsa
Gentes! O imposto pegou?, polca
Gentil, schottisch
Gotas de ouro, valsa
Gracietta, polca
Guerreiro, tango brasileiro
Helena, valsa
Henriette, valsa
Hino ao Sr. Prefeito Alaor Prata, hino
Hino da cultura de afeto às nações, hino
Hino da escola Bernardo de Vasconcellos, hino
Hino da escola Esther Pedreira de Mello, hino
Hino da escola Floriano Peixoto, hino
Hino da escola Pedro II, hino
Ideal, tango brasileiro
If I am not mistaken, fox-trot
Improviso, estudo para concerto
Insuperável, tango brasileiro
Ipanema, marcha brasileira
Iris, valsa
Jacaré, tango carnavalesco
Jangadeiro, tango brasileiro
Janota, choro brasileiro
Julieta, valsa
Julieta, quadrilha
Julita, valsa
Labirinto, tango brasileiro
Laço azul, valsa
Lamentos, meditação sentimental
Magnífico, tango brasileiro
Mágoas, meditação
Maly, tango brasileiro
Mandinga, tango brasileiro
Marcha fúnebre, marcha fúnebre
Marcha heroica aos 18 do forte, marcha heróica
Mariazinha sentada na pedra!..., samba carnavalesco
Marietta, polca
Matuto, tango brasileiro
Meigo, tango brasileiro
Menino de ouro, tango brasileiro
Mercêdes, mazurca de expressão
Mesquitinha, tango característico
Myosótis, tango brasileiro
Não caio noutra!!!, polca
Não me fujas assim, polca
Nazareth, polca
Nenê, tango brasileiro
No jardim, marcha infantil
Noêmia, valsa
Noturno, noturno
Nove de julho, tango argentino
Nove de maio, fox-trot
O alvorecer, tango de salão
O futurista, tango brasileiro
O nome dela, polca
O nome dela, grande valsa brilhante
O que há?, tango brasileiro
Odeon, tango brasileiro
Onze de maio, quadrilha
Orminda, valsa
Os teus olhos cativam, polca
Ouro sobre azul, tango brasileiro
Pairando, tango brasileiro
Paraíso, tango estilo milonga
Pássaros em festa, valsa lenta
Pauliceia, como és formosa!..., tango brasileiro
Perigoso, tango brasileiro
Pierrot, tango brasileiro
Pinguim, tango brasileiro
Pipoca, polca
Plangente, tango brasileiro (com estilo habanera)
Podia ser pior tango brasileiro
Polca (para mão esquerda) polca-tango
Polonesa polonesa
Por que sofre?..., tango meditativo
Primorosa, valsa
Proeminente, tango brasileiro
Pyrilampo, tango brasileiro
Quebra-cabeças, tango brasileiro
Quebradinha, polca
Ramirinho, tango brasileiro
Ranzinza, tango brasileiro
Rayon d'or, polca-tango
Reboliço, tango brasileiro
Recordações do passado, valsa
Remando, tango brasileiro
Resignação, valsa lenta
Retumbante, tango brasileiro
Rosa Maria, valsa lenta
Sagaz, tango brasileiro
Sarambeque, tango brasileiro
Saudação ao Dr. Carneiro Leão, hino
Saudade, valsa
Saudade dos pagos, canção
Saudades e saudades..!!, marcha
Segredo, tango brasileiro
Segredos da infância, valsa
Sentimentos d'alma, valsa
Soberano, tango brasileiro
Suculento, samba brasileiro
Sustenta a... nota..., tango brasileiro
Sutil, tango brasileiro
Talismã, tango brasileiro
Tango-habanera, tango-habanera
Tenebroso, tango brasileiro
Thierry, tango brasileiro
Topázio líquido, tango brasileiro
Travesso, tango brasileiro
Tudo sobe!..., tango carnavalesco
Tupynambá, tango brasileiro
Turbilhão de beijos, valsa lenta
Turuna, grande tango característico
Vem cá, branquinha, tango brasileiro
Vésper, valsa
Vitória, marcha
Vitorioso, tango brasileiro
Você bem sabe, polca-lundu
Xangô, tango brasileiro
Yolanda, valsa
Zica, valsa
Zizinha, polca

DISCOGRAFIA DE ERNESTO NAZARETH COMO INTÉRPRETE:

Ernesto Nazareth (piano), Pedro de Alcântara (flautim)
1912 - "Odeon" (78-RPM Odeon Record 108.791)
1912 - "Favorito" (78-RPM Odeon Record 108.790)
1912 - "Linguagem do coração", de Joaquim Callado (78-RPM Odeon 108.789)
1912 - "Choro e poesia", de Pedro de Alcântara (78-RPM Odeon 108.788)
Ernesto Nazareth (piano solo)
1930 - "Apanhei-te, cavaquinho" (78-RPM Odeon 10.718-a)
1930 - "Escovado" (78-RPM Odeon 10.718-b)
1930 - "Nenê" (matriz Odeon 3940, considerada "prova má" na época, e só lançada comercialmente em 1986 no LP "Os Pianeiros", FENABB 114)
1930 - "Turuna" (matriz Odeon 3942, considerada "prova má" na época, e só lançada comercialmente em 1986 no LP "Os Pianeiros", FENABB 114)

TRIBUTOS:

*Livros:

fonte: bibliografia do site www.ernestonazareth150anos.com.br

ALMEIDA, LUIZ ANTÔNIO DE. ERNESTO NAZARETH – VIDA E OBRA (MANUSCRITO NÃO PUBLICADO).
ANDRADE, MÁRIO DE. "ERNESTO NAZARÉ" (1926). LN: MÚSICA, DOCE MÚSICA. SÃO PAULO: L. G. MIRANDA, 1934.
COSTA, HAROLDO. ERNESTO NAZARETH - PIANEIRO DO BRASIL. RIO DE JANEIRO: ND COMUNICAÇÃO. 2005.
DINIZ, JAIME C. NAZARETH - ESTUDOS ANALÍTICOS. RECIFE: DEPARTAMENTO DE EXTENSÃO CULTURAL E ARTÍSTICA, 1963.
MACHADO, CACÁ. O ENIGMA DO HOMEM CÉLEBRE: AMBIÇÃO E VOCAÇÃO DE ERNESTO NAZARETH. SÃO PAULO: INSTITUTO MOREIRA SALLES, 2007.
PEQUENO, MERCEDES REIS (ORG.). 1963. CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO COMEMORATIVA DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE ERNESTO NAZARETH (1863-1934). RIO DE JANEIRO: BIBLIOTECA NACIONAL, 1963.
SIQUEIRA, BAPTISTA. ERNESTO NAZARETH NA MÚSICA BRASILEIRA. RIO DE JANEIRO: EDIÇÃO DO AUTOR, 1967.
WISNIK, JOSÉ MIGUEL. “MACHADO MAXIXE”. IN: SEM RECEITA – ENSAIOS E CANÇÕES. SÃO PAULO: PUBLIFOLHA, 2004

*LPs e CDs:

Fonte: discografia do site www.ernestonazareth150anos.com.br

Carolina Cardoso de Menezes interpreta Ernesto Nazareth (LP 10’’) 1952 Sinter (SLP 1007)
Ernesto Nazareth (LP 10’’) 1954 Continental (LP-V-2001)
Jacob Revive Músicas de Ernesto Nazaré (LP 10’’) 1955 RCA Victor (BPL 3001)
Carolina toca Nazareth (Compacto duplo) 1957 Odeon (BWB 1011)
A Música de Ernesto Nazareth para Você Dançar (LP 12’’) 1958 Sinter (SLP-1734)
Ouro Sobre Azul (LP 12’’) 1963 Chantecler (CMG 1017)
Gotas de Ouro (LP 12’’) 1965Chantecler (CMG-1034)
Antologia da Música Romântica Brasileira Vol.2 – Nazareth (LP 12’’) 1967 Angel (3CBX 438)
Ernesto Nazareth (LP 12’’) 1970 RCA Victor (BBL 1523)
Homenagem a Ernesto Nazareth (LP 12’’) 1973 Continental (SLP 10116)
Arthur Moreira Lima Interpreta Ernesto Nazareth (Nº 1) (LP 12’’ duplo) 1975 Discos Marcus Pereira (MPA 2009) (also MPA 9311-9312)
Arthur Moreira Lima Interpreta Ernesto Nazareth Nº 2 (LP 12’’ duplo) 1977 Discos Marcus Pereira (MPA 9364-9365)
Ernesto Nazareth (LP 12’’) 1978 RGE/Fermata (303.1010)
Os Pianeiros – Antônio Adolfo Abraça Ernesto Nazareth (LP 12’’) 1981 Artezanal (LPA-005)
Arthur Moreira Lima Plays Tangos, Waltzes, Polkas of Ernesto Nazareth (LP 12’’) 1983 Pro Arte Digital (PAD 144) Intersound Incorporated
Obras de Ernesto Nazareth (LP 12’’) 1983 CBS Especial (620.042)
Arthur Moreira Lima Plays Brazilian Tangos and Waltzes of Ernesto Nazareth (LP 12’’) 1984 Pro Arte Digital (PAD-170)
Homenagem a Ernesto Nazareth (LP 12’’) 1984 Independente (FJA-110)
Ernesto Nazareth- Brazilian Piano Music (LP 12’’) 1984 XYMAX Musikproduktions GmbH (29199)
Recordações de um Sarau Artístico (LP 12’’ triplo) 1984 FENABB (108)
Maurício de Oliveira Interpreta Ernesto Nazareth ao Violão (LP 12’’) 1985 Promocional, em comemoração dos 50 anos da Fundação Jônice Tristão (LP- G 001)
Obras de Ernesto Nazareth (Vol.1) (LP 12’’) 1986 Promocional - Main Engenharia S.A. (529.404.343)
Obras de Ernesto Nazareth (Vol.2) (LP 12’’) 1986 Promocional - Main Engenharia S.A. (529.404.342)
Ernesto Nazareth Inédito (LP 12’’) 1987 Arsis (992 604-1)
Piano Music by Ernesto Nazareth (CD) 1987 Music Matters
Odeon – Músicas de Ernesto Nazareth (LP 12’’) 1989 UFRJ (803.908)
Ernesto Nazareth – Série Inesquecível- Grandes Compositores (LP 12’’) 1990 RGE (320.6101)
Tributo a Ernesto Nazareth (CD) 1993 Karmim (KPCD002)
Nazareth- Grupo Corpo Companhia de Dança (CD) 1993 Independente (GC Nº 001)
Nazareth - Brazilian Tangos & Waltzes (CD) 1995 GHA (126.028)
Ernesto Nazareth- Tango Brasileiro (CD) 1995 Victor (PRCD 5158)
Ernesto Nazareth- Tango Brasileiro, valsa & polca (CD) 1996 Doremi (ACD-1379)
Sempre Nazareth (CD) 1997 Kuarup (KCD095)
Tango Brasileiro (CD) 1997 Project Music & Media (230)
Ernesto Nazareth – Doze Valsas e oito Peças para Piano (CD) 1998 Repertório Rádio MEC No.15 (SOARMEC S015)
Tango Brasileiro (CD) 1998 Viridiana Productions (VRD 2008)
Tango Brasileiro! (CD) 1998 Finlandia Records (3984-21447-2)
Paulo Romário refletindo Ernesto de Nazareth (CD) 1998 Independente (NM 212798)
Brazilian Delights (CD) 1998 Independente (186334934)
Tangos Brasileiros (CD) 2001 ORBIS Productions (ORB 2001)
Confidências (CD) 2002 Independente (sem número)
O Piano Erudito de Ernesto Nazareth (CD) 2002
Ernesto Nazareth (1) (Mestres Brasileiros Vol.3) (CD) 2003 Sonhos e Sons (SSCD051)
Ernesto Nazareth (2) (Mestres Brasileiros Vol.4) (CD) 2003 Sonhos e Sons (SSCD052)
Anima Brasiliana (CD) 2004 Pan Pot Records (número desconhecido)
Ernesto Nazareth: Tangos, Waltzes and Polkas (CD) 2005 Naxos (8.557687)
E. Nazareth- Pieces pour piano/Piano Works (CD) 2005 Solstice (SOCD 224)
Ernesto Nazareth (CD) 2005 ND Comunicação Ltda. (sem número)
Ernesto Nazareth – Music for Solo Piano (CD) 2005 Koch Entertainment (KIC-CD-7547)
Ernesto Nazareth Tangos (CD) 2005 Cambria Master Recordings (CD-1152)
Odeon – Tango Brasileiro – Frank French Plays the Tangos of Ernesto Júlio de Nazareth (CD) 2005 Independente (AFF 1028)
Embalada pela Brisa do Rio (CD) 2006 Independente (sem número)
Ernesto Nazareth 1 (Clássicos do Choro Brasileiro) (CD que acompanha livro de partituras) 2007 Choro Music (CCEN01P)
Ernesto Nazareth 2 (Clássicos do Choro Brasileiro) (CD que acompanha livro de partituras) 2007 Choro Music (CCEN02P)
Ernesto Nazareth 3 (Clássicos do Choro Brasileiro) (CD que acompanha livro de partituras) 2008 Choro Music (CCEN03PE)
Músicas Raras de Ernesto Nazareth (MP3 album) 2009 Choro Music (sem número)
Luciano Alves Interpreta Ernesto Nazareth (CD) 2009 Biscoito Fino (BF885)
Ernesto Nazareth - Solo Piano Works (CD) 2009 Quartz Music (QTZ2066)
Ernesto Nazareth por Ronaldo do Bandolim (CD) 2009 Niterói Discos (117)
Nazareth (CD) 2009 Biscoito Fino (BC 240)
Tadeu Borges Interpreta Ernesto Nazareth (CD) 2009 Paulus (010063)
Odeon - Brazilian Dances by Ernesto Nazareth (CD) 2009 Fleur de Son 57989
Nazareth (CD) 2010 Biscoito Fino (BF-976)
Comigo É na Madeira – Obras de Ernesto Nazareth (CD) 2010 Independente (QCCD001)
Nazareth: fora dos eixos (CD) 2012 Independente (sem número)
Giovanni Sagaz interpreta Ernesto Nazareth (DVD) 2012 Independente (sem número)

Fonte: Wikipedia

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Zé Menezes e o Primeiro Frevo-Canção da Rozenblit

NELSON FERREIRA ACEITOU SEM ENTUSIASMO, LEMBRA MAESTRO.

 / FOto: Priscilla Buhr/JC Imagem
Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem


Fui eu quem apresentei Nelson Ferreira e José Rozenblit. Eles se conheciam de nome, mas não pessoalmente”, quem diz isto é o maestro José Menezes, coautor, com Aldemar Paiva, do frevo-canção Boneca, gravado por Claudionor Germano no disco de 78 rotações inaugural do selo Mocambo, da Fábrica de Discos Rozenblit, há 60 anos. Menezes, que completa 90 anos em abril, já vinha de uma carreira bem-sucedida na música pernambucana, sobretudo no frevo.

“A Rozenblit foi de suma importância para o frevo, para intérpretes e autores. Eu era um dos autores daqui que tinha músicas gravadas no Rio – Eu, Zumba, Nelson, Capiba e Levino. Mas na Rozenblit era diferente, tinha maior divulgação. Por volta de novembro as rádios começavam a tocar as músicas; no Carnaval todo mundo cantava junto, nos bailes de clubes”, comenta Menezes.

Ele era frequentador da Lojas do Bom Gosto, na Rua da Aurora, um ponto badalado do Recife nos anos 1950. O frevo-canção Boneca foi composto com o alagoano Aldemar Paiva, compositor de alguns frevos clássicos, como Pernambuco você é meu e Evocação nº 6 (ambas com Nelson Ferreira), para tentar emplacar mais uma gravação dos dois numa gravadora “sulista”. Como acontecia desde os anos 1930, os representantes da RCA, Odeon, Sinter e Continental escolhiam, com os lojistas, os frevos que seriam interpretados por orquestras e cantores do Sudeste.


*Zaccarias, maestro famoso pela sua orquestra na RCA Victor.

Uma produção específica para o Carnaval pernambucano. Menezes por exemplo teve o seu frevo de rua Freio a óleo gravado pela Orquestra do maestro Zaccarias, em 1950. “Boneca não ficou entre os frevos escolhidos para serem gravados. Acharam muito romântica para o Carnaval. Rozenblit gostava muito desta música e me disse que ia gravar por conta dele. Pediu que eu sugerisse a música para o outro lado do disco. Sugeri Nelson Ferreira. Disse que ia procurar Nelson e saber se ele queria ceder uma música para o disco”.

Zé Menezes conta que Nelson Ferreira não lhe pareceu muito interessado: “Ele não botou muita fé, não acreditava que fosse dar certo. E acabou sendo um disco histórico”. Mas Nelson Ferreira, convencido por Zé Menezes, que tocava em sua orquestra, cedeu a José Rozenblit um frevo de rua que se tornaria um clássico, Come e dorme, o conhecidíssimo hino não oficial do Náutico. Assim como aconteceu com Claudionor Germano, dali em diante, embora tenha lançado discos por diversas gravadoras do Sudeste, a carreira de Zé Menezes estaria ligada a da Rozenblit, ou a Mocambo, como a empresa era popularmente conhecida.

E ainda mais ligada ficou a de Nelson Ferreira, que se tornou seu diretor musical: “Eu fui assistente dele. Aliás ele foi meu pai artístico, nasci artisticamente tocando com ele na Rádio Clube, em 1949”, conta Zé Menezes”, mestre no saxofone e clarinete.

Na gravadora da Estrada dos Remédio, ele trabalhou com artistas locais, nacionais e até internacionais que vinham gravar nos estúdios da Rozenblit. “Gravei com Bienvenido Granda, o cantor cubano que foi muito popular nos anos 50. Fiz duas músicas com ele, uma foi Boemia (versão em espanhol de A volta do boêmio, de Adelino Moreira). O pessoal vinha gravar aqui porque havia mão de obra barata. Os músicos recebiam bem menos”, diz Menezes, que passou a ter seus frevos-canção gravados pela Rozenblit.

A segunda música (em parceria com Edinho), foi o frevo-canção Pataco taco, interpretada pelo Trio Guarani. Daí em diante, sozinho ou com parceiros, como Manoel Gilberto, emplacou vários sucessos no Carnaval e montou sua própria orquestra a partir de 1960. “Foram 45 anos com a orquestra, que acabou em 2006. Não tinha mais sentido. Neste modelo de Carnaval não tem espaço para o frevo-canção, que é uma música para o povo cantar junto. Nos carnavais de clubes, muitas e muitas vezes a orquestra tocava e o folião dançava e cantava. Agora com essa música alienígena que colocam no Carnaval, não tem vez para frevo-canção.”

Zé Menezes fala com a autoridade de um dos compositores que mais assinam clássicos do frevo-canção. Não que tenha parado de compor. No computador ele tem um acervo inédito arquivado. Não há mais Rozenblit para lançar o sucesso do próximo Carnaval. “Eu mesmo me encarreguei de reunir minhas composições mais conhecidas e banquei um CD com 20 faixas, para distribuir com os amigos”, diz.

José Menezes adquiriu, também para distribuir com amigos, dezenas de cópias de uma reedição do álbum O frevo vivo de Levino, gravado com sua orquestra, lançado pela Rozenblit. Assim como praticamente toda o catalogo com selo da Mocambo, os discos lançados pelo maestro estão há anos fora de catálogo.

Zeloso de sua obra, ele bancou também um songbook, com suas principais composições, igualmente gratuito. “Eu queria relançar minhas músicas, com um songbook, mas os projetos que foram inscritos não foram aprovados nas leis de incentivos daqui”, conta Menezes, sem se queixar. Perto de completar nove décadas de vida (estão previstas muitas homenagens até lá), ele é antes de tudo uma pessoa de bem com a vida.

*Fonte: http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/noticia/2013/01/20/ze-menezes-e-o-primeiro-frevo-cancao-da-rozenblit-70619.php

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Fábrica de Discos Rozenblit - 60 Anos do Selo Mocambo




           No dia 18 de dezembro de 1954, os jornais pernambucanos estampavam, orgulhosamente, em suas páginas, a inauguração de uma empresa que seria de vital importância para a cultura local: a Fábrica de Discos Rozenblit: “Está montada na Estrada dos Remédios, ocupando ali uma das maiores áreas, apresenta-se modernamente equipada, com as maquinárias necessárias para uma indústria dessa ordem. Devendo-se considerar que a totalidade do seu maquinismo é o mais novo surgido nos Estados Unidos". A Rozenblit, anunciava uma produção de 400 mil discos de 78 rotações e LP com a etiqueta Mocambo.

*Fábrica de discos Rozenblit, anos 70


O primeiro disco com selo Mocambo veio surgir no carnaval de 1953, ou seja, no ano anterior ao da inauguração da fábrica. Tinha o nº 15.000, matriz nº 500, trazendo na face A o frevo-de-rua Come e dorme, de Nelson Ferreira, e na face B, o frevo-canção Boneca, com letra de Aldemar Paiva e música de José Menezes. Tendo como intérpretes o cantor Claudionor Germano, orquestra e coro sob a direção do próprio Nelson Ferreira, o primeiro disco com o novo selo veio a ser gravado nos estúdios do Rádio Club de Pernambuco, na Avenida Cruz Cabugá, em Santo Amaro, tornando-se no grande sucesso do carnaval daquele ano. “Não tinha este negócio de cada um gravar sua parte. Era todo mundo no estúdio, na mesma hora. Errou começava tudo de novo. Quem me convidou para gravar foi Nelson Ferreira. Naquele tempo eu cantava música romântica. Sei que o disco chegou aqui num dia, no outro já tocava no rádio”, relembra Claudionor Germano, cuja carreira daria uma guinada de 180 graus a partir deste disco. A vida profissional dele esteve, de uma forma ou de outra, ligada a gravadora os irmãos Rozenblit, praticamente até que esta fechou as portas, em 1983, em consequência das repetidas cheias e inundações provocadas pelo Rio Capibaribe.






































*Claudionor Germano, o estreante do selo Mocambo

No primeiro disco despontam, além de Nelson Ferreira responsável pela direção da orquestra e arranjos, os nomes de Aldemar Paiva, que vem depois alcançar sucesso com Saudade, gravado por Alcides Gerardi, e Frevo de Saudade, este parceria com o próprio Nelson Ferreira, e o de José Menezes, já famoso pelas gravações de Freio a óleo (RCA 80075-b/1950) e Baba de moça (Continental 16661-a/1953), gravados respectivamente pelas orquestras de Zacarias e de Severino Araújo. 



*Primeiro disco prensado pela Mocambo (Acervo Particular): 
Lado A:  Come e Dorme (Frêvo) - Nelson Ferreira   /   Lado B: Boneca (Frêvo-Canção) - Claudionor Germano

Claudionor Germano da Hora, estava com seis anos de carreira, quando gravou Boneca. Já passara por um trio vocal, o Ases do Ritmo, E, 1948, já estava em carreira solo, como um dos mais requisitados cantores da época. A maioria dos “rivais” não teve o mesmo sucesso. Entre outros, Almir Távora, Paulo Mendes, Guilherme Neto, J.Rocha, que gravou um dos dois primeiros LPs da Rozenblit (o outro foi da cantora Carmem Déa): “Zé Rozenblit era um idealista. A loja que ele e os irmãos tinham na rua da Aurora, era muito moderna. Tinha cabinas individuais para os fregueses ouvirem os discos. Tinha uma cabina onde as pessoas podiam gravar a voz em acetatos. Foi um incentivador da nossa cultura. A Rozenblit tirou muita gente do anonimato, criou um mercado local”, lembra Claudionor, que no mesmo ano gravou mais pela Copacabana, o frevo-canção de História de pierrô, de Genival Macedo e Hilário Marcelino. Lado B, do 78RPM, que trazia no lado A Folias da madrugada, frevo-de-rua de Toscano Filho, com a Orquestra Paraguary.

*Um dos primeiros selos da Mocambo

Os Rozenblit, família judia de origem romena, eram, antes de tudo, comerciantes. O selo Mocambo (pelo qual a gravadora ficou conhecia no Nordeste)teve o nome escolhido num concurso realizado entre os clientes da Lojas do Bom Gosto (uma na rua da Palma, 320, e outra na rua Da Aurora, 77). Capibaribe foi o segundo nome mais sugerido para o selo. Na época, “mocambo” era uma palavra muito falada em Pernambucano, onde corria uma campanha para erradicar os barracos (mocambos), grande parte localizadas nas margens do rio. A Lojas do Bom Gosto passou a manter uma página inteira no Jornal do Commercio aos domingo, inteiramente dedicada aos títulos que vendia, enfatizando os ainda reduzido catálogo da Mocambo: “E já que falamos na etiqueta Mocambo, convém lembrar  aos bons amigos  do carnaval pernambucano, que quatro frevos serão lançados antes dos dias do frevo or Irmãos Rozenblit & Cia Ltda. Os compositores estão encontrando na marca  de discos pernambucanos, cuja fábrica já entrou em construção, o maior apoio à divulgação de seus êxitos (no JC do domingo, 4 de outubro de 1953).







*Tipos de selos em 78 rpm em ordem cronológica, usados pela Rozenblit desde seu aparecimento. Note que o selo amarelo era destinado à divulgação, e não o uso comercial. (Acervo Particular).

Claudionor Germano virou o cantor preferido da Rozenblit a partir de 1957, quando lançou o frevo-canção Eu quero uma mulher (Fernando Castelão), lado B do frevo-de -rua, Praça do Diário, de Lourival Oliveira. A praxe era sempre o lado A ter um frevo-de.rua. Ainda em 1957, Claudionor Germano ocupa o lado B, com Frevo nº 3 do Recife (Antônio Maria), do disco que traz no lado A, Comendo fogo, de Levino Ferreira, com a Orquestra de Clube da Banda da Policia Militar de Pernambuco: “Em 1959, a Rozenblit quis homenagear Capiba, que completava 25 anos de sucesso como autor de frevos, e fui convidado para gravar um LP com músicas dele. Ele e Nelson Ferreira eram os inimigos cordiais. Então Nelson chegou para mim e disse: ‘Menino você vai gravar minhas músicas também’. Então naquele ano gravei dois LPs: Capiba 25 anos de frevo, e O que eu fiz e você gostou, com frevos de Nelson Ferreira. Até hoje são os discos de frevo mais vendidos em Pernambuco”, diz o cantor.



*Um dos LPs mais vendidos do Claudionor Germano, anos 60

A partir deste dois álbuns, que tiveram uma sequência no ano seguinte, com O que faltou...e você pediu, com composições de Nelson Ferreira, e Carnaval começa com C de Capiba: “Era ainda em dois canais. Errou voltava tudo. Leonardo Dantas (o jornalista e historiador) diz que matei de primeira. Muitos anos depois reouvindo os discos, eu pensei e regravar com a qualidade técnica de hoje. Leonardo, quando comentei com ele, disse que eu nem pensasse numa coisa dessas, era como refazer uma obra de arte”, diz Claudionor Germano, que guarda com o maior zelo, o primeiro e histórico bolachão da Rozenblit.

 

Sob o selo Mocambo foram surgindo em discos 78 rpm os mais importantes sucessos do nosso carnaval, como o frevo Vassourinhas, de Matias da Rocha e Joana Batista, gravado em junho de 1956 pela orquestra de Nelson Ferreira apresentando, pela primeira vez em disco, as variações em sax-alto,  compostas por Felinho (Félix Lins de Albuquerque) em 1941, por ele executadas na segunda parte, em  dezesseis compassos sem interrupção, segundo a matriz nº R.696. Ainda na mesma fábrica veio a ser prensado o disco, Frevo dos Vassourinhas nº 1, com orquestra e coro sob a direção de Clóvis Pereira,  produção autônoma com o  selo “Repertório” nº 9093, matriz R 285, gravado na sua versão cantada no auditório do Rádio Jornal do Commercio.

Mas o grande lançamento da Mocambo para o Carnaval Brasileiro aconteceu com um frevo-de-bloco Evocação em 1957, disco em 78 rpm nº 15142 B, matriz R 791. Foi a grande criação de Nelson Ferreira, a quem coube a direção da orquestra e do coral do Bloco Carnavalesco Batutas de São José. Foi o primeiro grande sucesso produzido no Recife que veio a ser cantado em todo o país, tendo vendido centenas de milhares de cópias em todo o  Brasil, graças à força do rádio e da televisão. Em qualquer festa carnavalesca a marcha tornou-se obrigatória e, mesmo nos dias atuais, é comum encontrar-se grupos de foliões  cantando animadamente em uma só voz: 

Felinto…, Pedro Salgado, 
Guilherme, Fenelon, 
Cadê teus blocos famosos ?! 
Blocos das Flores…, Andaluzas…, 
Pirilampos…, Apôis-Fum…
dos carnavais saudosos ?!..”
Na alta madrugada,
O coro entoava,
do bloco a marcha-regresso,
que era o sucesso
dos tempos ideais
do velho Raul Moraes:
“Adeus, adeus, minha gente,
que já cantamos bastante”…
E o Recife adormecia,
ficava a sonhar
ao som da triste melodia…

*Lourenço Barbosa da Silva (Capiba) (1904-1997) e Nelson Ferreira (1902-1976), Foto: Reprodução da capa do LP "Nova História da Música Popular Brasileira" os maiores compositores de frevo do Brasil

Evocação foi o grande sucesso daquele carnaval de 1957, não só no Rio de Janeiro onde a Mocambo vendia centenas de milhares de cópias, mas em todo o Brasil onde chegava a força do rádio e a televisão já se fazia presente, o que levou o seu autor, Nelson Ferreira, a  sair do Recife a fim de gravar programas especiais no Rio e São Paulo.

Não somente sucessos produzidos no Recife, mas também outros, de compositores cariocas, que vieram a ter o selo Mocambo, prensados na fábrica da Estrada dos Remédios, para depois conquistar o Carnaval Brasileiro, a exemplo de Máscara Negra, marcha-rancho de Zé Kéti e Pereira de Matos, gravada por Dalva de Oliveira para o carnaval de 1967; Ôbá, com a turma do Bafo da Onça, em 1962 (nº 15403-b); Ó Malhador, Dircinha Batista, 1963 (nº 15478 b); Samba do Saci, Bloco do Bafo da Onça, 1963 (nº 15489 b); Último a saber, Dircinha Batista, 1963 (nº 15482 a); Cabeleira do Zezé, Jorge Goulart, 1964 (nº 15544 b); A índia vai ter neném, Dircinha Batista, 1964 (nº 15543).

 Também em 1959 a Rozenblit lançou Velhos Carnavais do Recife (LP 40 178), com orquestra e coro sob a direção de Nelson Ferreira. No ano seguinte, no rastro do sucesso dos dois primeiros, foram lançados Carnaval começa com C, de Capiba, e O que faltou e você pediu, de Nelson Ferreira, também gravados ao vivo nos estúdios da Rozenblit por Claudionor Germano e orquestra sob a direção do próprio Nelson Ferreira.

Em 1973,  foram relançados com nova apresentação três LPs de Capiba:  25 anos de frevo( LP 60044); Carnaval começa com C (LP 60106) e Frevo alegria da gente (LP 60060). De   Nelson Ferreira vieram a ser lançados : Meio século de frevo-canção ( LP 60042); Meio século de frevo-de-rua (LP 60041); Meio século de frevo-de-bloco (LP 60040); Meio século de valsas (LP 60043), permanecendo em catálogo uma série de antologias do carnaval pernambucano, como os cinco volumes do Baile da Saudade, com Claudionor Germano e orquestra de Nelson Ferreira (LP 90005 e LP 90007) e Expedito Baracho e orquestra de Clóvis Pereira ( LP 90013 e LP 90016); Carnavalença – Carnaval dos Irmãos Valença, gravado por Expedito Baracho e orquestra de Nelson Ferreira (LP  90010) ; O Frevo Vivo de Levino Ferreira, gravado pela orquestra de José Menezes  (LP 90008); Olinda Carnaval I e II, em  1979 e 1982 ( LP 20.000 e LP 20018); Grandes Frevos de Bloco ( LP 60030); Sua Exa. o frevo de rua, gravado pela Banda Municipal do Recife (LP 60059); Viva o Frevo, antes lançado com o título Frevo na gafieira (LP 40076/1959), tendo Martins do Pandeiro como intérprete, com lançamentos consecutivos em 1973 e 1979;  João Santiago e os 50 anos do Bloco Batutas de São José, com orquestra e coro sob a direção do próprio João Santiago dos Reis em 1983 (LP 90021), Carnaval do Nordeste volumes I e II , gravados respectivamente pelas orquestras de Guedes Peixoto e Ademir Araújo, sob o patrocínio da Sudene (LP 90018 e LP 20021); Capiba – 86 anos, com Claudionor Germano e orquestra de Clóvis Pereira em 1990 (LP 804083).
Alguns desses lançamentos foram transformados, pela Polidisc em fitas cassetes  e, mais recentemente, em  compact-laser (1994), continuando o Capiba – 25 anos de frevo como o campeão de vendas ainda em nossos dias.
*José Rozenblit, um dos irmãos fundadores da Mocambo

Com o aparecimento de uma fábrica de discos no Recife, as gravadoras do Sul, RCA Victor, Copacabana, Odeon, Colúmbia, Philips, entre outras, continuaram com os lançamentos das músicas inéditas feitas para o carnaval do Recife, em 78 rotações por minuto e long-plays, até 1982, quando o interesse ficou restrito à reedição de antigos sucessos do carnaval brasileiro e aos sambas-enredo da Liga de Escolas de Samba do Rio de Janeiro, contribuindo assim para o quase desaparecimento da marchinha carioca nos festejos carnavalescos. 
Dentre outros lançamentos discográficos dos anos cinqüenta, vale registrar o aparecimento do 78 R.P.M. com o maior sucesso carnavalesco de Luiz Bandeira, É de fazer chorar, gravado por Carmélia Alves, juntamente com outro sucesso de Capiba, Nem que chova canivete, lançado pela Copacabana no carnaval de 1957 sob o nº 5699, matriz 1725.
No âmbitos dos long-plays, destaque especial para Carnaval com os Irmãos Valença, Colúmbia nº 40010, matriz XMB 394; Antologia do Frevo, com orquestra de José Menezes e coro de Joab, Philips nº 6349.314, matriz 6349.314, produzido por Toinho Alves (Quinteto Violado) em 1976 com sucessivas regravações; Baile da Saudade, com orquestra de José Menezes e coro, Bandeirantes nº BR 73000, em 1980; Frevança – II Encontro Nacional do Frevo e do Maracatu, gravado ao vivo no Teatro do Parque (Recife) em 19 de setembro de 1980, lançado pela RGE nº 306.3134; os dois primeiros discos da série O Bom do Carnaval, com o cantor Claudionor Germano, pela RCA nº 1070317 e nº 1070411, em 1980 e 1982.
Frevos inéditos, em faixas independentes, no entanto,  continuaram a  figurar nos discos de Alceu Valença, Moraes Moreira, Quinteto Violado, Caetano Veloso, Nando Cordel, Carlos Fernando (Asas da América), Maria Betânia, Geraldo Azevedo, Chico Buarque de Holanda, Gal Costa, Beth Carvalho, Nara Leão, Banda de Pau e Cordas, Conjunto Dominó, dentre outros, não faltando também os frevos instrumentais interpretados por Sivuca, Hermeto Pascoal, Ed Maciel, Dominguinhos, Severino Araújo, Osvaldinho, Renato Borguette, Canhoto da Paraíba e o Conjunto de Cordas Dedilhadas, só para citar esses.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Aniversário do Lalá - 109 aninhos...

Neste último dia 10 passado, comemoraria-se o aniversário de um dos maiores compositores que o Brasil já teve - Lamartine de Azeredo Babo - o nosso Lalá, magricelo de vozinha fina, que sempre fazia ponta nas músicas gravadas nos anos 30, em especial em suas composições. Dá-se o destaque na marcha carnavalesca "Grau Dez", com Francisco Alves para o carnaval de 1935. Além de compositor, era produtor, revistógrafo, humorista e radialista.



*Lamartine Babo, o Lalá (1904-1963)

Seus trocadilhos também o fizeram famoso e os casos em que envolviam sua aparência sempre eram hilários. Aconteceu, um dos casos mais pitorescos, nos correios:  Lalá foi enviar um telegrama, o telegrafista bateu então o lápis na mesa em morse para seu colega: "Magro, feio e de voz fina". Lalá tirou o seu lápis e bateu: "Magro, feio, de voz fina e ex-telegrafista".

RESUMO BIOGRÁFICO


1915
Foi matriculado no Colégio São Bento, onde cursou o ginásio. Ainda na época do São Bento, compôs um foxtrote Pindorama, um desafio de fazer música usando apenas as notas sol, dó, mi. Por essa época, venceu concurso escolar com a poesia "O frade que pedia esmola".

1917
Fez sua primeira valsa Torturas de amor, em homenagem a seu pai que faleceria neste mesmo ano.

1919
Compôs a Ave-Maria, feita exclusivamente para seu casamento, o que nunca se realizou, pois Lamartine casou-se, posteriormente, apenas em cerimônia civil, portanto não solene, com Maria José Babo, com quem não teve filhos. Fez ainda outras músicas religiosas, inclusive um Hino do Jubileu episcopal. Concluído o ginásio, ingressou no Colégio Pedro II, onde se bacharelou em letras.

1920
Desejou cursar a Escola Politécnica, mas foi impedido pelas circunstâncias - dificuldades econômicas pelas quais sua família passava. Foi então obrigado a empregar-se como office-boy da Light, o que lhe permitia vez por outra freqüentar as torrinhas do Teatro Municipal, do Teatro Lírico e do São Pedro de Alcântara (atual Teatro João Caetano). Neste mesmo ano, ainda sem formação técnica musical, compôs "Cibele", sua primeira opereta. A esta seguiram-se "Viva o amor" iniciada em 1926 e concluída em 1940, onde estava incluída a valsa Eu sonhei que tu estavas tão linda (parceria com Francisco Mattoso) e Lola, que no entanto não foram encenadas.

1922
Colaborou com o teatro de revista para o qual compôs Agüenta seu Filipe.

1923
Suas qualidades de bom humor e facilidade de inventar piadas lhe transformaram em colaborador da revista "Dom Quixote", que, dirigida por Bastos Tigre, era uma publicação especializada em humorismo, sátiras e críticas aos costumes da época.

1924
Passou a escrever em "Paratodos" e "Shimmy", usando os pseudônimos de Frei Caneca, Poeta Cinzento, T. Mixto, Janeiro Ramos, entre outros. Ainda em 1924, desligou-se da Light, empregando-se na Companhia Internacional de Seguros.

Sua amizade com Eduardo Souto, compositor e proprietário da Casa Carlos Gomes que financiava a saída de blocos para exibições na Festa da Penha e nas batalhas de confete que antecediam o carnaval, o levou a sair pela primeira vez num desses blocos o "Tatu subiu no pau", cantando a marchinha "Não sei dizê", de Eduardo Souto.

1925
Começou a compor para os ranchos da época dentre os quais Recreio das Flores, Africanos, Jardim dos Amores e Ameno Resedá, conquistando algum sucesso com a marchinha "Foi você". Por essa mesma época, tornou-se assíduo colaborador do teatro de revista. Compôs músicas para "Prestes a chegar", "É da pontinha", "Paulista de Macaé" e "Vai haver o diabo". Paralelamente, escrevia suas próprias peças como "Pequeno polegar" e "Este mundo vai mal". No ano seguinte, estreou em São Paulo com a peça "Na penumbra", feita em parceria com De Chocolat e montada pela Companhia Negra de Revista, espetáculo que contava com a participação de Pixinguinha.

1926
O jornal Estado de São Paulo, em 12 de novembro de 1926, publicava que "o notável flautista Pixinguinha é simplesmente extraordinário". Durante a curta temporada, Lamartine intermediou o encontro de Pixinguinha com o musicólogo Mário de Andrade que estava na época coletando material para a feitura de um livro que teria fundamental importância na carreira do compositor: "Macunaíma o herói sem nenhum caráter". O resultado deste encontro pode ser apreciado no Capítulo VII da obra que trata da macumba.

1927
Passou para o bloco de Luís Sampaio Nunes, conhecido por Careca, compositor de sucessos carnavalescos e vencedor dos carnavais de 1920, 1922 e 1924. Como revistógrafo e compositor, fez sucesso com a revista -burleta "Os calças-largas", de Freire Júnior (novembro de 1927), tendo a marcha - título da peça feita em parceria com Gonçalves de Oliveira - sido gravada na Odeon pelo barítono Frederico Rocha para o carnaval de 1928, sua primeira composição levada ao disco. Neste mesmo ano, musicou a revista "Ouro à beça", com Inácio Stábile e Henrique Vogeler dividindo a autoria do texto com Djalma Nunes e Jerônimo Castilho.

1928
Para ajudar no orçamento, foi professor de dança nos clubes Tuna Comercial e Ginástico Português. Escreveu a burleta "Este mundo vai mal", que obteve grande sucesso e colaborou na revista "Vai haver o diabo", que estreou em novembro do mesmo ano.

1929
Iniciou sua carreira no rádio, na Educadora, onde cantava com sua voz de falsete acompanhado pelo piano de Ary Barroso, contava piadas e fazia sketches.

1930
Em pouco tempo, teve seu próprio programa, "Horas Lamartinescas", onde se apresentavam entre outros Noel Rosa e Marília Batista. Neste mesmo ano, venceu o concurso de músicas carnavalescas promovido pela revista O Cruzeiro com a marchinha "Bota o feijão no fogo".

1931
Ganhou o concurso de carnaval da Casa Edison com "Bonde errado" e fez sucesso com "Lua cor de prata" e "Minha cabrocha" e "O barbudo foi-se". É deste mesmo ano a letra que fez para a composição de Ary Barroso "Na grota funda". Na verdade, Ary Barroso havia musicado versos de J. Carlos. Lamartine gostou da melodia mas achou que esta merecia versos seus. E assim, com a aprovação do parceiro melodista, nasceu o samba-canção "No rancho fundo", que foi lançado ainda em 1931 por Elisinha Coelho. Os dois parceiros voltariam a compor juntos em "Na virada da montanha" e "Grau dez". No ano seguinte, Lamartine reinou no carnaval. Um dos sambas mais divulgados foi o seu "Só dando com uma pedra nela", gravado por Mário Reis. Entre as mais cantadas, estava a marchinha "A.E.I.O.U", feita em parceria com Noel Rosa.

1932
Foi finalmente o ano de "O teu cabelo não nega", verdadeiro hino do carnaval carioca. Além de um grande êxito, a composição foi também um grande problema de direito autoral, por ter sido uma adaptação da marcha "Morena", composta pelos Irmãos Valença, pernambucanos que reclamaram a autoria e que passaram então a assinar a composição ao lado de Lamartine. A marcha foi gravada pelo cantor Castro Barbosa. Curiosamente, segundo relato de Jonjoca (com quem Castro formava uma dupla), "O teu cabelo não nega" lhes foi mostrada por Lamartine em um encontro casual na Cinelândia. A dupla adorou a música e Lamartine lhes disse "é de vocês, podem gravá-la". Dias depois, como iam também gravar "Bandonô", de autoria de Jonjoca, este teve a seguinte (e infeliz) idéia : " Ô Castro, vamos gravar essas músicas individualmente. Voce fica com uma e eu com a outra. Quanto à escolha, decidimos num cara ou coroa. Deu cara, e eu fiquei com 'Bandonô.' "

1933
Lamartine fez sucesso com "Chegou a hora da fogueira", gravada inicialmente por Carmen Miranda e Mário Reis com arranjo de Pixinguinha, "Linda Morena", "Moleque indigesto", "A tua vida é um segredo", "Aí, hein?" e "Boa bola", as duas últimas parcerias com Paulo Valença.

1934
Compôs "Uma andorinha não faz verão", parceria com João de Barro, que se tornou sucesso na voz de Mário Reis e a marchinha "Ride palhaço" inspirada em motivo da ópera I Pagliacci de Ruggiero Leoncavallo (1858-1919).

1935
Mais uma vez venceu o carnaval com "Grau dez" (nota que os compositores deram à morena) parceria com Ary Barroso e fez sucesso com "Rasguei minha fantasia" .

1936
Destacou-se com a "Marchinha do grande galo", uma parceria com Paulo Barbosa. Ainda neste ano, participou do filme "Alô,alô, Carnaval", dirigido por Wallace Downey, onde cantava com Almirante a marchinha "As armas e os barões assinalados".

1937
Suas composições carnavalescas tornaram-se eventuais passando então a fazer sucesso com sambas-canções. O destaque deste ano vai para "Serra da boa esperança", composição na qual Lamartine mostra a excelência de sua arte, onde letrista e compositor se igualam em bom gosto e artesanato. Ainda em 1937 transferiu-se para a Rádio Nacional onde produziu o "Clube dos fantasmas" e a série "Vida pitoresca e musical dos compositores da nossa música popular".

1939
Uma composição carnavalesca, o "Hino do carnaval brasileiro", tem a pretensão de ser o hino oficial do carnaval, o que não acontece, até porque "O teu cabelo não nega" já havia sido consagrada como tal, fato confirmado pelas décadas que se seguiram. Neste mesmo ano, surgiram dois sambas: "Cessa tudo" (com Celso Machado) interpretado por Sílvio Caldas e "Voltei a cantar", canção do musical "Joujoux e balangandãs", que marcou o retorno ao disco do cantor Mário Reis. Após ausência das gravações por um período de três anos o cantor voltou ao disco registrando também "Joujoux e balangandãs", marcha de Lamartine Babo, grande sucesso do espetáculo beneficente de mesmo nome realizado no Rio de Janeiro no ano de 1939, patrocinado pela então primeira dama, D. Darcy Vargas. A composição mostra um diálogo musical entre um brasileiro e uma francesa, vividos no palco e no disco por Mário Reis e Mariah (pseudônimo da senhora da alta sociedade da época, Maria Clara Correia de Araújo). Dois anos mais tarde, Lamartine compôs a valsa "Eu sonhei que tu estavas tão linda", que pretendia incluir numa opereta inacabada intitulada "Viva o amor". A melodia da valsa é de Francisco Mattoso.

1941
A valsa foi gravada por Francisco Alves. Em suas atividades como radialista, foi exclusivo da Rádio Mayrink Veiga durante os anos de 1933 a 1937, tendo produzido os programas "Canção do dia", em que apresentava uma música inédita por programa, e "Clube da meia-noite".

1942
Criou o programa "Trem da alegria", que se tornaria um dos mais famosos do Brasil tendo sido apresentado em diversas emissoras de rádio. O programa contava com a participação do "Trio de osso", integrado por Héber de Bôscoli, Iara Sales e Lamartine, e seguiu no ar até 1956, ano de falecimento de Héber de Bôscoli . Lamartine, a partir daí, abandonou o rádio, passando a se dedicar à direção da UBC (União Brasileira de Compositores). Voltaria poucos anos depois ao rádio, na Roquette Pinto, emissora oficial do então Estado da Guanabara. Além de produzir programas para a televisão, foi produtor da Copacabana Discos e publicou livros humorísticos e alguns versos. Gravou dois LPs na Sinter.




*Os dois LPs prensados pela Sinter nos anos 50 do Lalá

1958
Compôs a marcha-rancho "Os rouxinóis", lançada na revista "Bom mesmo é mulher", a pedido do Rancho Rouxinóis da Ilha de Paquetá. A música obteve sucesso e seria uma das mais executadas naquele carnaval. Encerrou sua carreira de compositor com "Ressureição dos velhos carnavais" (1961) e "Seja lá o que Deus quiser" (1963).

1963
Carlos Machado produziu na boate Golden Room do Copacabana Palace o show "O teu cabelo não nega", baseado na vida de Lamartine. Lalá, como era conhecido, assistiu aos ensaios mas não chegou a ver a montagem do espetáculo. Faleceu dias antes da estréia vitimado por um ataque cardíaco.

Fica aqui, nossa singela homenagem ao Lalá, em vésperas do carnaval, festa que amou como ninguém.

*Créditos: 
                 Collector's.com
                 Fotos retiradas da internet

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Boas Festas e Feliz Ano Novo

Fica aqui registrado aos nossos amigos e visitantes do Bolacha de Cera um Feliz Ano Novo e que o ano que inicia entre com muita Paz, Felicidade e Prosperidade a todos vocês. Feliz 2013!!!